
BRASIL, 25 de março de 2026 – A inadimplência no Brasil atingiu 81,7 milhões de pessoas em fevereiro, segundo levantamento da Serasa Experian. O aumento ocorreu ao longo dos últimos anos e representa crescimento de quase 40% em relação a uma década atrás.
De acordo com a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, o recorde de inadimplência vem sendo superado desde o início de 2025. Além disso, o volume de CPFs negativados indica um cenário contínuo de pressão financeira sobre os consumidores brasileiros.
Os dados mostram que 70,5% da renda média das famílias está comprometida com dívidas. Dessa forma, sobra pouco espaço para despesas básicas. Além disso, a inflação reduz o poder de compra, afetando principalmente a população com menor renda.
Por isso, o orçamento doméstico apresenta sinais de esgotamento. O avanço dos preços impacta diretamente o consumo, enquanto os salários não acompanham o mesmo ritmo. Assim, o quadro de inadimplência se intensifica no país.
O cenário também reflete mudanças no mercado de crédito. As instituições financeiras reduziram a oferta de linhas mais acessíveis, o que limita as opções para consumidores endividados.
CRÉDITO RESTRITO
As projeções indicam taxa Selic em 12,5% ao final de 2026, conforme estimativas recentes. Com isso, o custo do crédito permanece elevado, dificultando o acesso a financiamentos com juros menores.
Inclusive, as taxas de longo prazo variam entre 13% e 14%. Mesmo com eventuais ajustes, os juros continuam impactando a capacidade de pagamento das famílias.
PRESSÃO ECONÔMICA
O cenário econômico também sofre influência de fatores externos. Tensões internacionais podem pressionar os preços de commodities e energia, elevando a inflação.
Com isso, o poder de compra pode ser ainda mais afetado. Dessa forma, o aumento de custos pode ampliar o número de pessoas em situação de inadimplência no Brasil.
O quadro atual resulta da combinação entre juros elevados, restrição de crédito e inflação persistente.







