
MARANHÃO, 23 de março de 2026 – Uma equipe internacional de pesquisadores identificou uma nova espécie de vertebrado a partir de nove mandíbulas fossilizadas encontradas no Maranhão e no Piauí. Os fósseis foram localizados nos municípios de Pastos Bons e Timon, no Maranhão, além de Nazária, no Piauí.
O animal viveu há cerca de 280 milhões de anos, durante o período Permiano.
A nova espécie recebeu o nome de Tanyka amnicola, batizada pelo grupo de cientistas que inclui o paleontólogo Juan Carlos Cisneros, da Universidade Federal do Piauí. O nome combina palavras do guarani e do latim: “Tanyka” significa “mandíbula” ou “queixo”, enquanto “amnicola” refere-se a organismos que vivem dentro ou próximos a rios.
O Tanyka amnicola pertence ao grupo dos tetrápodes, entre os vertebrados com quatro patas mais antigos que se tem registro. Embora tenha surgido milhões de anos após os primeiros tetrápodes, o animal mantinha características primitivas típicas de espécies mais antigas.
Sua anatomia indica um estágio evolutivo basal, próximo das formas iniciais desse grupo.
Os cientistas estimam que o animal podia atingir cerca de dois metros de comprimento. Seu porte era semelhante ao das salamandras-gigantes modernas. No entanto, o que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi o formato incomum das mandíbulas.
Inicialmente, a equipe suspeitou que as estruturas estivessem deformadas pelos processos de fossilização. A repetição do padrão em diferentes exemplares, porém, descartou essa hipótese. Os dentes maiores do animal apresentam uma orientação lateral, apontando para os lados em vez de para cima.
Essa característica foge ao padrão observado na maioria dos vertebrados. Uma das hipóteses levantadas pelos pesquisadores é que a adaptação esteja ligada ao modo de alimentação da espécie.
O animal provavelmente vivia predominantemente na água e se alimentava por sucção, de forma semelhante a alguns peixes e ao Tiktaalik, precursor dos tetrápodes.
A dentição do Tanyka sugere um mecanismo mais complexo que o da sucção simples. Os pesquisadores acreditam que os dentes da mandíbula trabalhavam em conjunto com estruturas no céu da boca, permitindo uma espécie de raspagem do alimento.
Esse sistema seria ideal para consumir itens de baixo valor nutritivo, como algas ou pequenos invertebrados. Além disso, a mandíbula provavelmente realizava movimentos de rotação, ajudando a triturar o alimento — um comportamento incomum para animais tão primitivos.







