
BRASÍLIA, 16 de setembro de 2025 – De olho na reeleição em 2026, o presidente Lula (PT) propõe uma tarifa zero no transporte público como forma de melhorar sua imagem junto aos deputados. A medida encontra um obstáculo significativo na falta de recursos.
A Warren Investimentos estima que o custo anual dessa proposta poderia chegar a R$ 4,3 bilhões no ano que vem, caso a União subsidie 100% dos domingos e feriados do transporte coletivo urbano em todo o Brasil, com exceção de São Paulo.
Apesar das ressalvas de instituições financeiras sobre a indisponibilidade de recursos, a iniciativa se inspirou em uma estratégia bem executada por Ricardo Nunes (MDB) em São Paulo. A tarifa zero renovada em dezembro de 2023 na capital paulista, que custou R$ 283 milhões aos cofres municipais, foi um trunfo em sua reeleição.
Agora, o governo Lula busca nacionalizar o modelo, transformando uma vitória eleitoral local na política federal. A expansão, porém, pode gerar pressões inflacionárias adicionais nos prazos médios e longos, impulsionadas pelo aumento projetado do rombo nas contas públicas.
No curto prazo, a tarifa zero beneficiaria principalmente as camadas de menor renda, que destinam uma parcela maior de seus rendimentos ao transporte.
Para os estrategistas petistas, a medida é crucial para se conectarem diretamente com as periferias urbanas, base eleitoral do partido. Nessas regiões, o transporte público pode extrair até 20% da renda familiar, o que torna a tarifa zero um benefício imediato e eleitoralmente estratégico.
Para um governo que enfrenta resistência crescente entre as classes médias, essa política oferece um benefício tangível e visível nas regiões metropolitanas, que concentra votos decisivos para 2026.
A experiência de São Paulo também resultou em uma narrativa política ideal. Segundo o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), “o transporte [é garantido pela Constituição Federal] como um direito social, que funciona como porta de acesso a outros direitos, como saúde, educação e lazer”.
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