
BRASÍLIA, 13 de outubro de 2026 — A deputada federal Erika Hilton (PSol-SP) atribuiu a erros de estratégia do próprio partido parte do resultado que levou a legenda a não superar a cláusula de barreira nas eleições de 2026.
Entre as decisões questionadas pela parlamentar estão a rejeição a uma federação com o PT, a distribuição dos recursos partidários e a falta de investimento em candidaturas que, na avaliação dela, tinham maior potencial eleitoral. A deputada também admitiu que pode deixar o Psol e confirmou já ter iniciado conversas com o partido do presidente Lula.
Em entrevista à Folha de S. Paulo, publicada nesta segunda (12), Erika citou como exemplo a campanha de Sofia Favero para deputada estadual em São Paulo. Segundo ela, o financiamento destinado à candidatura ficou abaixo do necessário, o que exigiu esforços adicionais durante a corrida eleitoral.
“Nós tivemos um baixo financiamento, por exemplo, da campanha da minha candidata a deputada estadual aqui em São Paulo [Sofia Favero], que recebeu um valor superbaixo.”
Apesar das dificuldades, a deputada avaliou que o desempenho alcançado demonstrou o potencial da candidatura.
“Precisamos fazer todos os movimentos necessários para que ela conseguisse carregar e tocar a sua campanha, com todas as dificuldades que teve e, mesmo assim, os resultados foram muito positivos.”
Para Erika, o problema não se limitou a casos individuais, mas esteve na maneira como o Psol definiu prioridades e distribuiu seus recursos pelo país. A parlamentar considera que algumas candidaturas receberam valores elevados apesar de apresentarem menor capacidade de votação, enquanto nomes mais competitivos ficaram desassistidos.
“Eu acho que o Psol erra na estratégia que ele usa, inclusive deixando de cobrir estados e lideranças importantes que nos ajudariam a superar a cláusula de barreira.”
Ela afirmou que essa escolha teve consequências diretas para o desempenho da legenda.
“O Psol passou, inclusive, a financiar candidaturas com recursos muito alto, com baixo potencial eleitoral, quando deixou de cobrir outras candidaturas que tinham potencial eleitoral. A minha avaliação permanece a mesma. Eu acho que foi um erro estratégico que gerou inclusive resultados muito ruins agora para nós do Psol.”
FEDERAÇÃO COM O PT DIVIDIU AVALIAÇÕES
Erika rejeitou a interpretação de que as divergências internas sobre a possibilidade de uma federação com o PT tenham provocado um “racha” no Psol. Segundo ela, havia grupos com leituras distintas sobre qual seria a melhor estratégia eleitoral, e o campo que se opunha à aliança acabou prevalecendo.
A deputada integrava o grupo que defendia a federação por considerar que a união ampliaria a presença da esquerda em regiões nas quais partidos de direita e extrema direita têm maior força.
“Na verdade não houve um racha. Houve uma avaliação e uma interpretação diferente de nós, que acreditávamos e seguimos acreditando que uma federação com o PT nos fortaleceria e nos ajudaria inclusive a ampliar a nossa presença em estados dominados pela direita e extrema direita.”
Na avaliação de Erika, a composição também teria oferecido maior segurança para que o Psol ultrapassasse a cláusula de barreira e ajudaria a consolidar uma articulação mais ampla entre partidos de esquerda.
“Também nos ajudaria com mais tranquilidade a superarmos a cláusula de barreira, a fortalecermos o nosso partido, a fortalecermos o campo da esquerda, a criarmos um campo mais sólido, mais coeso contra a extrema direita, que tem se unido cada vez mais.”
A parlamentar afirmou que o grupo favorável à federação aceitou a derrota interna, mas considera que o resultado das eleições exige uma nova avaliação sobre os rumos da legenda.
“Então naquele momento nós tínhamos essa avaliação e defendemos essa avaliação para defendermos a federação. E havia outro campo que, de maneira legítima, tinha uma outra interpretação da qual nós não concordamos, mas que foram vitoriosos. E nós aceitamos a vitória. Não houve nenhum racha.”
Depois do desempenho eleitoral, Erika considera que a necessidade de reorganização se tornou mais urgente.
“Agora o cenário é ainda mais delicado. O partido não atinge a cláusula de barreira e precisa se fortalecer para continuar a fazer o trabalho brilhante que sempre fez enquanto partido. Para isso, a gente precisa sentar e conversar. Mas eu acho que houve sim muitos erros por parte do nosso partido e que nós sejamos capazes de consertar esses erros para seguir adiante.”
Além da decisão de não formar a federação, Erika apontou a redistribuição do fundo partidário e a falta de valorização de determinados nomes entre os problemas da campanha. Segundo ela, algumas dessas candidaturas “tinham potenciais gigantes de votações expressivas no estado de São Paulo e em outros estados do país.”










