
ESTADOS UNIDOS, 02 de julho de 2026 — Os Estados Unidos sancionaram a Victory Trading na quarta (1º) por um suposto envolvimento com o PCC, o Primeiro Comando da Capital. A empresa é de Victor Henrique de Oliveira Shimada. Entre setembro de 2023 e setembro de 2024, ela recebeu R$ 514,5 milhões da Wave Intermediações.
A Wave Intermediações é considerada uma das principais empresas da rede Arpar, segundo a CPMI do INSS. A rede Arpar tem mais de 40 empresas que, segundo a comissão, são de fachada e usadas para lavagem de dinheiro.
No relatório final, o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) afirma que a rede movimentou mais de R$ 39 bilhões e serviu para esconder o dinheiro desviado do INSS. O esquema era comandado por Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.
Além da Victory, os EUA também sancionaram a Wave Construções Inteligentes, a Pixwave Soluções de Pagamentos, a secretária de Victor, Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, e uma empresa de Portugal chamada Avenidas Flutuantes Unipessoal. A Wave Intermediações não parece ter relação com a Wave Construções.
A CPMI do INSS não conseguiu quebrar os sigilos da Victory Trading. No entanto, relatórios de inteligência financeira mostram que a empresa tem ligação com a ACX ITC Serviços de Tecnologia, outra firma da rede Arpar.
Os relatórios indicam que a ACX ITC usou o mesmo dispositivo de login das empresas Texas Quantum e Victory Trading. Além disso, a Victory já havia sido alertada antes sobre atividades suspeitas.
No papel, a ACX ITC tem R$ 101 milhões de capital e pertence a Ericsson de Azevedo. Mas ele não parece ter o padrão de vida de um dono de empresa tão grande. Durante a pandemia, ele recebeu dez parcelas do auxílio emergencial. O endereço dele fica em um condomínio simples no Jaçanã, em São Paulo.
As empresas Wave e Victory também aparecem nas investigações sobre o desvio de dinheiro do patrocínio da VaideBet ao Corinthians.
O Ministério Público diz que Victor Shimada era o operador financeiro do esquema. As duas empresas foram citadas pelo delator do PCC Vinicius Gritzbach, que foi assassinado em novembro de 2024 no Aeroporto de Guarulhos.
Segundo a CPMI, a Wave Intermediações movimentou R$ 2,68 bilhões entre setembro de 2023 e agosto de 2025. Os relatórios de inteligência financeira dizem que não há justificativa econômica ou legal para esse volume de dinheiro.
Isso, segundo os investigadores, é um forte indício de lavagem de dinheiro.







