DINHEIRO FÁCIL

Emendas Pix pagam água, luz, internet e show até do Safadão

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emendas pix
Controladoria-Geral da União (CGU) aponta que emendas foram usados para pagar contas de água, luz e shows em municípios; relatório foi enviado à Polícia Federal

BRASIL, 16 de janeiro de 2026 – A Controladoria-Geral da União (CGU) identificou irregularidades no uso de emendas parlamentares do tipo Pix por municípios brasileiros.

A auditoria federal apontou que os recursos, destinados a obras e serviços, foram usados para pagar despesas básicas como água, luz, internet e até cachês de shows do cantor Wesley Safadão. O relatório, concluído em dezembro, foi encaminhado à Polícia Federal para investigação.

Em Tucano, na Bahia, o município comandado pelo filho do deputado federal Ricardo Maia recebeu R$ 19 milhões em 2023 e usou parte para pagar contas de água, luz, internet e aluguel de carros. 

O cachê do artista Wesley Safadão, por exemplo, foi de R$ 730,5 mil em um evento municipal. A CGU apontou que o município omitiu informações sobre a origem completa dos recursos no sistema de transparência, dificultando a fiscalização.

A prática ocorreu porque as emendas Pix foram aplicadas no custeio da máquina administrativa, o que é vedado pelas regras desse tipo de transferência.

Segundo a CGU, o dinheiro deve financiar programações finalísticas diretamente para a população, não despesas de rotina das prefeiturass. Em um caso específico, um município usou R$ 1 milhão de uma única emenda para quitar impostos, manutenção e contas de consumo.

PREFEITURAS OMITEM INFORMAÇÕES

A auditoria também constatou que prefeituras omitiram informações e documentos no sistema público de transparência.

Essa manobra, segundo o órgão, dificulta o controle social e a fiscalização do uso correto do dinheiro. Além disso, algumas gestões cadastraram os planos de trabalho para justificar os gastos well após o prazo legal estabelecido, configurando outra irregularidade.

O relatório foi enviado à PF por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino. A investigação visa apurar possíveis ilegalidades no cenário geral de aplicação desses recursos.

Parlamentares citados em casos específicos declararam que indicam as emendas Pix “de boa-fé” e que a fiscalização da execução é dever dos órgãos de controle, não do autor da indicação.

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