
SÃO LUÍS, 02 de fevereiro de 2026 – O valor total das emendas parlamentares registrou um aumento de 500% em menos de dez anos, conforme dados orçamentários. Esses recursos, que os congressistas destinam a obras em suas bases eleitorais, saltaram de aproximadamente R$ 5 bilhões para cerca de R$ 60 bilhões em 2026.
Dessa forma, o mecanismo se consolidou como a principal ferramenta de negociação e barganha dentro do Congresso Nacional.
Na prática, o mandato parlamentar funciona atualmente como um balcão de repasses de verbas federais. Por isso, as disputas eleitorais frequentemente giram em torno de quem consegue direcionar mais recursos para asfaltamento e compra de ambulâncias.
Consequentemente, o debate legislativo e a formulação de políticas públicas públicas perderam espaço para essa dinâmica de distribuição de benefícios locais.
Esse sistema fortaleceu um bloco de partidos sem identidade programática definida, conhecido como centrão. O grupo domina a Câmara e o Senado justamente por controlar o acesso ao Orçamento e às emendas. Com maioria folgada, esse bloco define, portanto, quais proposições seguem ou desaparecem da pauta legislativa.
Junto com o crescimento do volume, aumentaram também os casos de uso político das verbas. Destinações para cidades administradas por familiares e repasses para ONGs com vínculos suspeitos tornaram-se recorrentes.
Diante disso, o Supremo Tribunal Federal precisou estabelecer limites, por exemplo, ao envio de recursos para entidades ligadas a parentes de parlamentares.
Do total de aproximadamente R$ 60 bilhões reservados para 2026, cerca de R$ 40 bilhões têm execução obrigatória pelo governo.







