
BRASÍLIA, 27 de março de 2026 – O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, assumiu a relatoria de um inquérito sobre o homicídio do caso Tech Office, ocorrido em 2022, em São Luís. A investigação estava no Superior Tribunal de Justiça, mas foi transferida após decisão do ministro. O caso cita familiares do governador Carlos Brandão.
A apuração tramita sob sigilo e envolve suspeitas relacionadas ao uso de estruturas estatais, mudanças em depoimentos e denúncias de propina. Inclusive, o inquérito inclui relatos de possível pressão do senador Weverton Rocha para interferir no andamento de processos no STJ. O conteúdo foi divulgado pelo jornal Estado de S.Paulo.
ANDAMENTO DA INVESTIGAÇÃO
Ao assumir a relatoria do caso Tech Office, Flávio Dino determinou a suspensão de uma investigação da Polícia Civil do Maranhão. A apuração estadual analisava denúncias feitas pela companheira do autor do crime contra pessoas ligadas ao governo. Segundo o ministro, havia risco de interferência na investigação federal.
O novo inquérito do caso Tech Office é conduzido pela Polícia Federal desde maio do ano passado. A investigação foi aberta após a condenação do autor do homicídio a 13 anos de prisão. O objetivo é apurar possível relação entre o crime e suposta cobrança de propina envolvendo Daniel Brandão.
Além disso, o ministro apontou falhas no andamento do processo, como desorganização, pedidos não analisados e ausência de perícia em dispositivos eletrônicos. Ele também mencionou risco à integridade de testemunhas, que relataram ameaças durante o curso das investigações.
POSICIONAMENTOS
O governador Carlos Brandão afirmou que a decisão causa estranheza e destacou a ausência de comunicação oficial sobre a mudança de relatoria. Segundo o governo, há tentativa de relacionar temas distintos ao caso Tech Office, o que motivou críticas à condução do processo.
Por sua vez, o senador Weverton Rocha declarou que foi citado sem base factual e negou qualquer envolvimento. Ele também afirmou que não possui ligação com os fatos investigados. Já Flávio Dino não se manifestou sobre o caso por meio de sua assessoria.
O gabinete do ministro Humberto Martins, do STJ, informou que todas as informações solicitadas foram repassadas ao novo relator. A defesa do condenado declarou que não comentaria o andamento do processo.







