
BRASIL, 09 de abril de 2026 – O Brasil registrou 81,7 milhões de pessoas com contas atrasadas em fevereiro deste ano. O número representa um recorde histórico desde 2012. A inadimplência na carteira de crédito de pessoas físicas chegou a 5,24%. Esse é o maior nível em 14 anos.
O programa Desenrola saiu de cena em maio de 2024. Com o fim da medida, o país ganhou 9 milhões de novos nomes na lista de restrições. O governo Lula planeja agora oferecer descontos de até 80% para dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. O Ministério da Fazenda estuda uma nova versão do programa.
CARTÃO DE CRÉDITO LIDERA AS PENDÊNCIAS
O cartão de crédito lidera a lista de débitos. Ele representa 26,7% do total de inadimplentes. Os bancos aparecem, portanto, como os principais credores. Em seguida, vêm as operadoras de energia e água, com 21,3% de inadimplentes.
O Desenrola durou dez meses e atendeu 15 milhões de pessoas. Esse número ficou muito abaixo da meta inicial, que era de 30 milhões. O programa renegociou R$ 53,2 bilhões. Esse valor equivale a apenas 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Mesmo com o alívio temporário para a baixa renda, o total de endividados não parou de subir.
BARREIRAS DIGITAIS TRAVARAM ACESSO
A execução do programa enfrentou problemas técnicos na segunda fase. O governo exigiu contas nível ouro ou prata no portal Gov.br para acessar a plataforma de descontos. Essa burocracia digital travou a participação da população mais pobre. Esse público era o alvo da promessa de campanha de Lula.
Analistas criticam a falta de foco na raiz do superendividamento. Para eles, renegociar débitos sem atacar as causas apenas adia a crise financeira das famílias. A explosão das bets, os juros altos e a oferta desenfreada de crédito fizeram as dívidas voltarem com força.
Com a saída de cena do primeiro programa, o contingente de brasileiros com nome sujo segue em expansão acelerada.







