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Deputado visitado por motorista de Vorcaro atuou pelo Master

Andre Reis
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Vorcaro Deputado
Deputado apresentou propostas idênticas sobre créditos de carbono. Iniciativas surgiram na mesma época que Daniel Vorcaro tratava com o senador Ciro Nogueira.

BRASÍLIA, 31 de julho de 2026  O deputado Geraldo Mendes (União-PR) foi um dos parlamentares visitados pelo ex-motorista de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Ele apresentou dois projetos de lei sobre créditos de carbono.

As propostas foram protocoladas em 25 e 31 de outubro de 2023. Esse período coincide com as tratativas de Vorcaro sobre o mesmo tema com o senador Ciro Nogueira, conforme investigação da Polícia Federal.

Os projetos tratam da venda de créditos de carbono por agricultores familiares. Eles se encaixam no Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE). Uma das propostas foi anexada a outro projeto que depois foi apensado ao SBCE. A segunda foi arquivada por ser igual à primeira.

O SBCE é justamente um dos projetos que Vorcaro discutiu com Ciro Nogueira. Em novembro de 2023, Vorcaro enviou o motorista Sidney Santos, o “Kiko”, até a casa do senador para buscar rascunhos de projetos. A PF afirma que os textos foram revisados em um escritório indicado por Vorcaro e depois devolvidos a Ciro.

O ministro André Mendonça, do STF, autorizou buscas contra Ciro Nogueira em maio deste ano. Ele diz que Ciro e Vorcaro trataram de dois projetos: o PL 5.174/2023 (Paten) e o PL 412/2022 (SBCE). A coluna mostrou que Kiko registrou entrada na Câmara para visitar pelo menos quatro deputados. Um deles era Geraldo Mendes.

A visita ao gabinete dele ocorreu no dia 7 de fevereiro de 2024, às 16h33. Kiko também informou que iria aos gabinetes dos deputados Pedro Westphalen, Sanderson e Benes Leocádio. Todos negam ter recebido o motorista.

O próprio texto dos projetos indica pouca familiaridade com o assunto. Em um erro, o SBCE foi chamado de “Sistema Brasileiro de Controle de Emissões”. O nome correto é Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões. A justificativa usa vocabulário rebuscado, como “aguilhoamento” e “jaezes”.

Na oportunidade, Geraldo Mendes negou irregularidades. Ele afirmou que o objetivo era incluir pequenos produtores no mercado de carbono. O deputado disse também que a proposta não beneficia empresas ou instituições financeiras específicas.

O projeto foi apensado a outro mais antigo e não foi aprovado de forma autônoma. Por isso, não produziu efeitos jurídicos próprios.

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