
MARANHÃO, 07 de abril de 2026 – Deputados estaduais do Maranhão se reúnem às 15h desta quarta (8), na Sala de Comissões da Assembleia Legislativa, para eleger o presidente e o vice da CPI Camarão.
O encontro foi convocado após a instalação do colegiado, que investiga denúncias envolvendo o vice-governador Felipe Camarão, conforme publicação no Diário Oficial da Casa desta terça (7).
A CPI Camarão foi formada por parlamentares de diferentes blocos. Pelo grupo governista Unidos Pelo Maranhão, participam Ricardo Arruda, Ana do Gás, Mical Damasceno, Yglésio Moyses e Adelmo Soares. Já o Bloco do PL indicou Aluízio Santos. Por outro lado, o bloco de oposição Parlamento Forte designou Rodrigo Lago como titular.
COMPOSIÇÃO E PRAZO
Além dos membros titulares, a CPI Camarão conta com suplentes de diferentes campos políticos. Integram essa lista Carlos Lula, pela oposição, e Fabiana Vilar, pelo PL. Já o grupo governista indicou Helena Duailibe, Florêncio Neto, Kekê Teixeira, Eric Costa e Jota Pinto para suplência no colegiado.
A criação da CPI Camarão ocorreu no mês passado, após a apresentação de um requerimento com apoio de 24 deputados. O colegiado terá prazo inicial de 120 dias para conduzir os trabalhos. No entanto, esse período poderá ser prorrogado por igual duração, conforme previsão regimental da Assembleia Legislativa.
O foco central da CPI Camarão é apurar denúncias contidas em um Procedimento Investigatório Criminal conduzido pelo Ministério Público do Maranhão. A investigação está sob responsabilidade do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas, que atua em casos de maior complexidade.

VEJA OS POSSÍVEIS CRIMES COMETIDOS POR CAMARÃO NA VICE-GOVERNADORIA
Crimes Investigados
- Lavagem de Capitais: O documento cita expressamente a apuração de crimes de lavagem de dinheiro, estruturados em operações de fracionamento, dissimulação e ocultação de valores.
- Crimes contra a Administração Pública: São mencionadas infrações penais conexas com foco em delitos contra a administração, incluindo o uso da máquina administrativa para a consecução de crimes.
Fatos e Condutas Destacados no documento
A investigação detalha uma série de condutas que fundamentam as suspeitas de ilícitos:
Recebimento de Valores de Servidores: Identificou-se o recebimento de depósitos feitos por servidores da Secretaria de Educação e da própria Vice-Governadoria nas contas do investigado.
Incompatibilidade Financeira: A movimentação bancária de Felipe Camarão revelou um fluxo financeiro expressivo (mais de R$ 4,6 milhões em créditos extra-salário) que extrapola de forma relevante sua renda formal declarada.
Uso de Operadores Financeiros (Policiais Militares): Policiais lotados em sua segurança institucional, como Thiago Brasil Arruda e Alexandre Guimarães Nascimento, são apontados como operadores que movimentavam milhões e repassavam valores ao Vice-Governador ou quitavam suas despesas pessoais.
Depósitos em Espécie e Fracionamento: Foram identificados 230 depósitos em espécie sem identificação do depositante, além de uma estratégia de fracionamento de valores (depósitos de até R$ 2.000,00) para dificultar o rastreio da origem do dinheiro.
Pagamento de Despesas Pessoais por Terceiros: O documento cita que o policial Thiago Arruda pagou reservas em hotéis de luxo (como o Fairmont Rio de Janeiro) e guias de impostos (DARFs) em benefício de Felipe Camarão.
“Caixa Dois” para Marketing Político: Há indícios de que o policial Alexandre Nascimento operava um “caixa paralelo” para financiar impulsionamento digital e publicidade em redes sociais em favor de Felipe Camarão, totalizando mais de R$ 350.000,00.
Ocultação e Dissimulação: Uso de perfis de WhatsApp com fotos falsas para dificultar a identificação. Utilização de uma conta bancária e chave PIX vinculadas materialmente a Felipe Camarão, mas formalmente registradas em nome de seu irmão, Carlos Gustavo.







