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CNJ usa brecha para manter salários de magistrados punidos

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CNJ brecha
CNJ aplica sanção de disponibilidade, que suspende juízes por até dois anos sem interromper vencimentos, com base em norma da década de 1970.

BRASÍLIA, 23 de março de 2026 – O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) utilizou a sanção de disponibilidade para afastar magistrados e manter seus salários, conforme apuração do jornal O Estado de S. Paulo. A medida suspende juízes e desembargadores por até dois anos, sem interromper o pagamento, com base na Lei Orgânica da Magistratura, sancionada em 1979.

Além disso, o uso da disponibilidade se intensificou após o Supremo Tribunal Federal e o Congresso Nacional iniciarem mudanças para extinguir a aposentadoria compulsória como punição máxima. Dessa forma, a prática passou a ser adotada como alternativa para casos de infrações disciplinares graves.

Na terça (17), o CNJ aplicou a sanção ao afastar um desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo. O magistrado foi acusado de falsificar documentos e alterar resultados de julgamentos, segundo o processo analisado pelo colegiado.

-A decisão ocorreu um dia após o ministro Flávio Dino, do STF, determinar que infrações graves devem resultar na perda definitiva do cargo. No entanto, o CNJ adotou a suspensão remunerada prevista na legislação vigente.

De acordo com o órgão, a medida segue a Lei Orgânica da Magistratura, que estabelece que a perda do cargo só ocorre após decisão judicial definitiva. Por isso, a demissão de magistrados permanece incomum no sistema atual.

Dados oficiais indicam que a manutenção de magistrados afastados gera custo anual de R$ 60 milhões aos cofres públicos desde 2006. Nesse período, 126 juízes foram aposentados compulsoriamente, enquanto outros 58 ficaram em disponibilidade temporária.

Além disso, a proposta de emenda à Constituição em tramitação no Senado trata apenas do fim da aposentadoria como penalidade. Porém, o texto não aborda o afastamento com remuneração, o que mantém essa possibilidade ativa.

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