BRASIL ISOLADO

Cinco países contrariam Brasil e mantêm casos da Lava Jato

Andre Reis
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Lava Jato
Peru, EUA, Suíça, Reino Unido e Equador ignoram anulações do STF e seguem com processos, prisões e bloqueios da Lava Jato contra envolvidos em corrupção.

MUNDO, 20 de agosto de 2026  Pelo menos cinco países mantêm ativas ações da Operação Lava Jato. Peru, Estados Unidos, Suíça, Reino Unido e Equador ignoraram decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que anularam ou enfraqueceram esses casos no Brasil. As informações são de um levantamento do site Poder360, publicado nesta quarta (19).

No Brasil, o STF declarou a incompetência da Justiça Federal de Curitiba para julgar alguns processos. Além disso, reconheceu a suspeição do ex-juiz Sergio Moro. Por isso, condenações de empresários, executivos e políticos foram anuladas. Provas e acordos de leniência também passaram a ser questionados.

No exterior, porém, os tribunais entenderam de forma diferente. Eles consideraram que crimes cometidos em seus sistemas financeiros podem ser investigados localmente. A lógica é simples: movimentar dinheiro de propina em bancos estrangeiros ou praticar corrupção em outros países fere a legislação daquele país.

No Peru, a Lava Jato atingiu a elite política. O ex-presidente Alejandro Toledo foi condenado em 2024 a 20 anos de prisão. Ele recebeu US$ 35 milhões em propinas da Odebrecht.

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Em 2025, ele pegou outra pena de mais de 13 anos. Em abril de 2025, o ex-presidente Ollanta Humala e sua mulher, Nadine Heredia, foram condenados a 15 anos por lavagem de dinheiro.

Eles receberam US$ 3 milhões da empreiteira na campanha de 2011. Heredia pediu asilo no Brasil e deixou o Peru em um avião da FAB. Já em julho de 2026, a Justiça peruana anulou o processo contra Humala.

Nos Estados Unidos, a lei anticorrupção permitiu que os processos seguissem. Em 2016, a Odebrecht admitiu ter violado a lei americana. A empresa confessou ter pago US$ 800 milhões em propinas em 12 países. O equatoriano Carlos Pólit foi condenado em Miami em 2024 por lavagem de dinheiro.

O executivo brasileiro José Carlos Grubisich também foi condenado, em 2021, a 20 meses de prisão. Ele ainda perdeu US$ 2,2 milhões e pagou multa de US$ 1 milhão. As autoridades americanas fecharam acordos bilionários com Glencore, Trafigura e Vitol. A própria Petrobras pagou US$ 2,95 bilhões em 2018 para encerrar uma ação nos EUA.

Na Suíça, mais de 60 investigações foram abertas. Mais de mil contas bancárias foram analisadas. Mais de 1 bilhão de francos suíços foram congelados. A Justiça suíça chamou as movimentações financeiras de “delitos autônomos” de lavagem de dinheiro. Por isso, os processos continuaram mesmo após as anulações no Brasil.

No Reino Unido, a Justiça também preservou medidas de recuperação de ativos. Em maio de 2026, o juiz Mark Weekes manteve o confisco de 7,3 milhões de libras (cerca de R$ 51 milhões) de um ex-engenheiro da Petrobras. Ele afirmou que as decisões do STF não valem para os tribunais ingleses.

O juiz ainda autorizou o uso das provas pelo órgão britânico de combate a fraudes. Isso aconteceu mesmo depois de o ministro Dias Toffoli ter anulado, no Brasil, o compartilhamento dessas informações com o Reino Unido.

No Equador, a Justiça manteve condenações contra a Odebrecht. O ex-vice-presidente Jorge Glas foi condenado em 2017 a seis anos de prisão por receber subornos. Ele continua preso. O país rejeitou tentativas de aplicar as anulações do STF brasileiro ao caso.

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