EPIDEMIA SILENCIOSA

Casos de tuberculose crescem 34% em cinco anos no Maranhão

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tuberculose Maranhão
Curva ascendente acompanha tendência nacional e mundial. Especialistas alertam que mais de 80% dos diagnósticos podem ocorrer em pacientes sem sintomas visíveis

MARANHÃO, 26 de março de 2026 – O Maranhão registrou cerca de 3 mil casos de tuberculose e 200 mortes pela doença em 2024. Os dados constam no último Boletim Epidemiológico de Tuberculose, divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde. A incidência da enfermidade apresentou crescimento expressivo nos últimos cinco anos no estado.

A taxa de novas infecções saltou de 30 casos por 100 mil habitantes em 2020 para 40,3 casos no mesmo grupo em 2024. Esse aumento representa uma elevação de aproximadamente 34% no período analisado. A doença prevaleceu entre os homens, que representaram mais de 66% dos casos, principalmente na faixa etária a partir dos 15 anos.

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CENÁRIO NACIONAL E MUNDIAL

A situação epidemiológica no Maranhão acompanha a tendência observada em todo o país. O Brasil registrou mais de 85 mil infecções, conforme o boletim do Ministério da Saúde. O número de mortes no país saltou 32,6% em 15 anos, passando de 4,6 mil óbitos em 2010 para uma estimativa de 6,1 mil em 2025.

No cenário global, o Relatório Global da Tuberculose 2024, divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), aponta que 7,5 milhões de pessoas foram diagnosticadas com a doença em todo o planeta.

Esse é o maior número registrado desde o início do monitoramento mundial, em 1995. Cerca de 10,6 milhões adoeceram no período, e a tuberculose foi responsável por 1,3 milhão de mortes ao redor do mundo em 2024.

A tuberculose é a principal causa de mortes por um agente infeccioso único no mundo, à frente da Covid-19 e da Aids. No Brasil, a doença ocupa a décima posição entre as enfermidades que mais causam vítimas.

DIAGNÓSTICO SILENCIOSO

Um estudo publicado na plataforma ScienceDirect acendeu um alerta sobre a dificuldade de diagnóstico precoce. A pesquisa indica que uma parcela relevante dos casos pode evoluir de forma silenciosa, sem manifestações clínicas evidentes.

Essa característica compromete a detecção oportuna e contribui para a manutenção da cadeia de transmissão.

A pesquisa acompanhou 979 contatos domiciliares de pessoas com tuberculose entre abril de 2021 e setembro de 2022. O grupo incluía homens, mulheres e indivíduos com histórico prévio da doença. Entre os participantes, a tuberculose foi identificada em apenas 5,2% daqueles com sintomas visíveis.

Por outro lado, 82,4% dos casos diagnosticados eram assintomáticos no momento da descoberta, ou seja, não apresentavam sinais clínicos claros.

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