BRASIL, 09 de outubro de 2024 – A abstenção no primeiro turno das eleições de 2024 chegou a 21,71%, segundo dados oficiais. Embora o índice tenha caído em comparação ao pleito de 2020, quando foi de 23,15%, a preocupação permanece elevada.
Em 2020, o cenário foi afetado pela pandemia de COVID-19, que adiou a votação para novembro. Já em 2018, o índice de abstenção foi de 17,58%, demonstrando uma tendência crescente de afastamento dos eleitores.
O cientista político e professor do Insper, Leandro Cosentino, aponta que o alto índice de abstenção reflete o desencanto com a política. Segundo ele, “os sucessivos escândalos e promessas não cumpridas em termos de bem-estar social” contribuem para esse afastamento.
Daniel Moraes Pinheiro, professor da Udesc, também observa que, embora algumas instituições políticas tenham recuperado certa confiança, “a política em si passa por um momento de distanciamento e desinteresse da população”.
Além disso, as redes sociais criam uma falsa sensação de participação, agravando o desengajamento.
CAPITAIS COM MAIOR ABSTENÇÃO
Das 26 capitais brasileiras, 14 apresentaram índices de abstenção superiores à média nacional. Porto Alegre liderou o ranking, com 31,51% dos eleitores optando por não votar. A capital gaúcha, que recentemente sofreu com a pior enchente da sua história, registrou 345.544 ausências.
Esse número é superior à votação do atual prefeito Sebastião Melo (MDB), que busca a reeleição com 345.420 votos, representando 49,72% dos votos válidos.
Melo enfrentará Maria do Rosário (PT) no segundo turno.