
MUNDO, 14 de janeiro de 2026 – Na segunda (12), Donald Trump afirmou que aplicará uma tarifa de 25% “em toda e qualquer transação comercial realizada com os Estados Unidos” a “qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã”. “Esta ordem é final e irrecorrível”, escreveu Trump na rede Truth Social.
A declaração foi feita em resposta à repressão que o regime teocrático iraniano promove contra manifestantes locais desde a última semana de dezembro. Nesta terça (13), o governo americano orientou seus cidadãos a deixar o país persa.
“Caso seja de fato aplicada uma tarifa de 25% sobre todos os países que têm relacionamento com o Irã, o Brasil seria um dos impactados”, afirma Sara Paixão, analista de macroeconomia do InvestSmartXP.
Ela explica, no entanto, que é difícil estimar os impactos pela incerteza sobre possíveis exceções à sobretaxa por produto ou setor, por exemplo.
“Nas últimas tarifas aplicadas sobre o Brasil, uma ampla gama de produtos foi retirada ao longo do tempo [da sobretaxa]”, ressalta. “Temos uma tarifa de 10% mais uma adicional de 40%, mas, integralmente, os 50% são aplicados a poucos produtos.”
Caso a ameaça de Trump se concretize de forma linear, sobre todos os produtos brasileiros exportados aos EUA, os setores mais expostos seriam de petróleo, ferro e aço, carne, café e suco de laranja.
“Commodities têm facilidade maior de realocação para outros mercados, diferente dos produtos industriais”, comenta a analista. “O setor aeroespacial, por exemplo, seria potencialmente mais impactado porque realocar esse tipo de produto é mais difícil.”
GOVERNO BRASILEIRO MONITORA POSSIBILIDADE DE SANÇÕES
O governo brasileiro passou a monitorar com atenção a ameaça de Trump de impor uma tarifa adicional a países que mantêm relações comerciais com o Irã. Segundo a CNN Brasil, o presidente Lula (PT) orientou sua equipe a evitar reações precipitadas e priorizar canais diplomáticos.
Caso a ameaça avance, o presidente brasileiro não descartaria um contato direto com Trump para explicar que a relação entre Brasil e Irã é predominantemente comercial e voltada à segurança alimentar, sem envolvimento de produtos bélicos ou estratégicos.
Nesta terça-feira, por meio de nota oficial, o governo afirmou acompanhar “com preocupação” a evolução das manifestações que ocorrem em diversas localidades do Irã e já teriam deixado cerca de 2 mil mortos por causa da repressão do regime teocrático do país.
Sem mencionar a ameaça de intervenção militar feita pelos Estados Unidos, o texto defende que os iranianos decidam “de maneira soberana” sobre seu futuro.
“O Brasil lamenta as mortes e transmite condolências às famílias afetadas”, informa o comunicado. “Ao sublinhar que cabe apenas aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país, o Brasil insta todos os atores a se engajarem em diálogo pacífico, substantivo e construtivo.”
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