
MARANHÃO, 06 de julho de 2026 — O governo federal negocia com cerca de 20 empresas da América, Europa, Ásia e Oceania para utilizar o Centro Espacial de Alcântara, no Maranhão.
As tratativas buscam transformar a base em um polo internacional de lançamentos de foguetes. Além disso, a expectativa é realizar pelo menos um lançamento comercial ainda neste ano para atrair novos contratos.
Segundo a Empresa de Projetos Aeroespaciais (Alada), algumas negociações já estão em fase avançada. Criada em 2024, a estatal atua na prospecção de clientes e faz a ponte entre as empresas e os órgãos responsáveis pelas autorizações.
Os recursos obtidos com os contratos deverão financiar a ampliação e a modernização da infraestrutura da base.
A empresa sul-coreana Innospace já recebeu autorização da Agência Espacial Brasileira (AEB) para realizar um novo lançamento em Alcântara. A companhia desenvolve foguetes para colocar pequenos satélites em órbita.
O primeiro lançamento no Maranhão ocorreu em dezembro de 2025, mas terminou em explosão 33 segundos após a decolagem. Segundo a Alada, a falha ocorreu no projeto do foguete e não teve relação com a estrutura da base.
O setor aeroespacial segue em expansão. Dados da consultoria Global Market Statistics apontam que o mercado movimentou cerca de US$ 220 bilhões em 2025 e poderá atingir US$ 315 bilhões até 2034.
Inclusive, estimativas da Força Espacial dos Estados Unidos indicam que o número de satélites ativos pode passar de 11,7 mil para 30 mil até 2030.
O principal diferencial de Alcântara é a proximidade com a Linha do Equador. Essa localização reduz em cerca de 30% o consumo de combustível durante os lançamentos. Vale salientar que a região tem baixo fluxo aéreo, pequena densidade populacional e poucos eventos climáticos extremos, fatores que favorecem as operações espaciais.
Segundo o diretor do Centro Espacial de Alcântara, coronel Adalberto de Rezende Rocha Júnior, a estrutura atual suporta foguetes de pequeno e médio porte, capazes de transportar entre 20 e 50 toneladas.
Essa capacidade atende grande parte da demanda do mercado. No entanto, novos investimentos poderão ser necessários caso o número de clientes aumente.
ACORDO COM OS ESTADOS UNIDOS
O Acordo de Salvaguardas Tecnológicas, firmado entre Brasil e Estados Unidos em 2019, abriu caminho para a exploração comercial da base. O tratado protege tecnologias norte-americanas utilizadas nos foguetes, requisito considerado essencial para operações internacionais.
A Agência Espacial Brasileira avalia que Alcântara poderá alcançar uma frequência de um lançamento por mês no curto e médio prazo. Segundo a AEB, a criação da Alada facilitou o atendimento às empresas estrangeiras e fortaleceu o novo modelo comercial adotado pelo governo.
HISTÓRICO
Inaugurado em 1983, o Centro Espacial de Alcântara foi criado para desenvolver um foguete nacional. Em 2003, uma explosão na plataforma matou 21 profissionais e marcou a maior tragédia da história do programa espacial brasileiro.
Agora, o governo aposta na exploração comercial da base para ampliar a presença do Brasil na economia espacial, mantendo o objetivo de desenvolver um lançador nacional no futuro.







