
BRASÍLIA, 30 de janeiro de 2026 – O Banco Master dispunha de apenas R$ 4 milhões em caixa no dia em que teve a liquidação decretada pelo Banco Central (BC), em novembro, apesar de ter mais de R$ 127 milhões em compromissos a vencer naquela mesma semana.
Dados apurados pelo jornal O Estado de S. Paulo evidenciam que a instituição já se encontrava, na prática, insolvente.
Além das obrigações imediatas, o banco comandado por Daniel Vorcaro acumulava cerca de R$ 2 bilhões em depósitos compulsórios em atraso. Embora esses recolhimentos sejam obrigatórios, o Master deixou de efetuá-los em razão da grave crise de liquidez que enfrentava.
A dimensão do problema foi detalhada pelo diretor de Fiscalização do BC, Ailton Aquino, em depoimento à Polícia Federal (PF) em 30 de dezembro. Questionado sobre o caso, ele afirmou que o BC acompanhava de perto a situação do Master — uma instituição com cerca de R$ 80 bilhões em ativos — justamente por causa do estrangulamento financeiro.
“Um banco de R$ 80 bilhões normalmente tem R$ 3 bilhões ou R$ 4 bilhões em títulos livres, e o Master, antes da liquidação, tinha apenas R$ 4 milhões em caixa”, afirmou Aquino. Segundo ele, o monitoramento constante buscava avaliar se a instituição conseguiria manter o funcionamento diário.
Os depoimentos de Aquino, de Vorcaro e do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa — todos colhidos em 30 de dezembro — foram tornados públicos apenas nesta quinta (29), depois de o ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), levantar o sigilo a pedido do BC.







