
BRASÍLIA, 21 de julho de 2026 — O Banco Master transferiu R$ 3,6 bilhões em créditos de dívidas para 11 fundos da gestora Reag. As operações aconteceram entre 2021 e 2025. A Polícia Federal investiga a Reag por suspeitas de fraude bancária e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.
A documentação mostra que, em muitos casos, o contrato de empréstimo e a transferência do crédito para o fundo ocorreram no mesmo dia. Os investigadores veem nisso um possível padrão de funcionamento.
A suspeita é que a Reag ajudou a estruturar fundos que movimentaram recursos de forma atípica. O objetivo seria inflar resultados financeiros. O fundador da Reag, João Carlos Mansur, é um dos investigados.
A principal hipótese da PF é que as cessões de crédito ajudavam o Master a liberar espaço no balanço. Assim, o banco podia emitir mais Certificados de Depósito Bancário e captar novos recursos. O banco emprestava dinheiro a empresas. Essas empresas aplicavam os valores em fundos da Reag.
Então, os fundos usavam parte do dinheiro para comprar os próprios créditos que o banco havia criado. Por fim, os empréstimos deixavam de ser cobrados. O prejuízo ficava para os fundos que compraram os direitos creditórios.
Entre as operações, seis empréstimos somam R$ 130 milhões para empresas do Grupo Gafisa. Os contratos foram cedidos no mesmo dia ao fundo Yvrac. Esse veículo tem participação do próprio Banco Master. As transações ocorreram de 2022 a setembro de 2025.
Outro fundo citado é o Astralo 95, que recebeu R$ 357 milhões do Master. Ele é alvo da Operação Carbono Oculto. Essa investigação apura fraudes e lavagem de dinheiro em um esquema ligado ao setor de combustíveis. O fundo faz parte da chamada “estrutura Frozen”.
Os nomes dos fundos remetem a personagens da animação Frozen. O Astralo 95 também é alvo de ações do liquidante do Banco Master. Essas medidas buscam impedir o desaparecimento de ativos da instituição.







