
MARANHÃO, 06 de julho de 2026 — Pesquisas eleitorais registradas como autofinanciadas cresceram neste ano e passaram a chamar atenção antes das eleições. Dados do TSE mostram que, entre janeiro e 17 de junho, 58 empresas registraram levantamentos pagos com recursos próprios. Por isso, especialistas questionam a forma como esses gastos são declarados.
Cinco institutos concentram os maiores valores registrados. O Veritá informou R$ 10,8 milhões em 93 pesquisas. O Real Time Big Data declarou R$ 2,4 milhões em 34 levantamentos. Já o Vetor Arrow registrou R$ 1,9 milhão em 13 pesquisas. Em alguns casos, os valores superam o lucro e a receita bruta informados pelas empresas no ano anterior.
Os institutos afirmam que os valores enviados ao TSE representam o preço de mercado das pesquisas, e não o custo operacional. Além disso, dizem que utilizam recursos das atividades regulares da empresa e contratos comerciais. Alguns também afirmam registrar pesquisas em nome próprio por orientação jurídica ou estratégia de mercado.
Advogados consultados afirmam que declarar como recurso próprio uma pesquisa paga por terceiros pode caracterizar fraude. Já outra especialista avalia que a regra do TSE não deixa claro se o valor informado deve ser o custo real ou o preço de mercado. Portanto, o tribunal marcou uma reunião com empresas para discutir mudanças nas regras.
Segundo a Abep, das 710 pesquisas registradas neste ano até 15 de junho, 330 eram autofinanciadas. A associação afirma que pretende colaborar com o TSE para aperfeiçoar as normas e ampliar a transparência sobre os financiadores dos levantamentos.







