Operação resultou em 9 mortes no Maranhão em 2019, Flávio Dino não reclamou

SÃO LUÍS, 31 de julho de 2019 – Em uma operação da Polícia Civil na Vila Conceição, em São Luís, nove pessoas perderam suas vidas após um confronto com os policiais em 24 de janeiro de 2019. Apesar do número de mortos, apenas seis armas foram apreendidas pela polícia. Na ocasião, o Maranhão era governado pelo comunista Flávio Dino. O mesmo que criticou recentemente a operação no Guarujá em resposta ao assassinato de um policial em São Paulo, silenciou em relação à operação de 2019 que se deu em circunstâncias estranhas. Ao contrário da operação no Guarujá, que foi desencadeada após o assassinato de um policial por um atirador, a operação na Vila Conceição em 2019 foi motivada apenas por “denúncias de moradores”. Na época, o Governo do Estado informou que a operação foi uma resposta a denúncias de confrontos entre facções criminosas na região e posse de armas de fogo por pessoas locais. Crítico da reação da polícia paulista em relação à morte de um policial, que segundo ele foi “desproporcional”, Flávio Dino não fez qualquer comentário semelhante em 2019 e nem tomou providências para averiguar se a morte de nove pessoas após simples denúncias foi “desproporcional”. O contraste entre a postura de Flávio Dino ministro em relação ao silêncio de Flávio Dino governador causa desconfiança em relação às motivações do comunista diante de situações idênticas, mas que envolvem lados diferentes dos espectros políticos nacionais. No caso de Dino, talvez a operação da polícia só seja desproporcional quando praticada em governos de adversários. Quando no governo de aliados, ou do próprio Flávio Dino, é algo normal e aceitável.
Flávio Dino critica operação contra assassino de policial em São Paulo

SÃO LUÍS, 31 de julho de 2023 – O Ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, se pronunciou nesta segunda-feira (31) sobre a operação policial no Guarujá, que resultou em ao menos oito mortes. Dino afirmou que a ação não parece ser proporcional ao crime cometido e enfatizou que é essencial que as investigações sejam conduzidas pelas autoridades estaduais de São Paulo. As mortes ocorreram durante a operação policial iniciada na sexta-feira (28), durante as buscas dos suspeitos envolvidos no assassinato do policial Patrick Bastos Reis, que era soldado das Rondas Ostensivas Tobias Aguiar (ROTA). O número exato de vítimas fatais ainda não está claro. “Houve uma reação imediata que não parece nesse momento ser proporcional em relação ao crime que foi cometido”, disse Flávio Dino. CASO SEMELHANTE NO MARANHÃO Em 2019, quando Flávio Dino era governador do estado, uma operação policial resultou na morte de nove pessoas. Não há registros de declarações do então governador que levantassem suspeitas sobre a operação da polícia, como o fez no caso do Guarujá. Apesar de resultar na morte de 9 pessoas, a operação apreendeu apenas cinco armas. O que reforça a tese de que, pelo menos, quatro dos mortos estavam desarmados. Foram apreendidas armas dos calibres 38, 40, 44 e .40.
A Independência em outras margens

Profa. Dra. Elizabeth Sousa Abrantes[1] Prof. Dr. Yuri Givago Alhadef Sampaio Mateus[2] No imaginário social brasileiro, a Independência política simbolizada no 7 de setembro de 1822 é vista como pacífica e amistosa, sem lutas e derramamento de sangue, obtida no grito, às “margens plácidas” do riacho Ipiranga por um Príncipe Regente que se tornaria, em seguida, o Imperador e Defensor Perpétuo do Brasil, D. Pedro I. Essa interpretação clássica, que se encontra nas primeiras obras que historiaram o tema da Independência, e influenciaram o ensino de história nos compêndios escolares, deu pouca atenção às lutas que ocorreram em algumas províncias, como se todas as regiões que então compunham o território da América Portuguesa tivessem prontamente aderido ao famoso “Grito do Ipiranga”. Este episódio está cristalizado em vários signos, como o quadro Independência ou Morte, do pintor Pedro Américo, de 1888; a letra do hino nacional brasileiro, de autoria de Joaquim Osório Duque-Estrada, escrito no início do século XX, e oficializado no contexto do centenário da Independência; além da representação cinematográfica expressa em Independência ou Morte, filme de 1972, dirigido por Carlos Coimbra, que marcou a comemoração do Sesquicentenário da Independência, no contexto autoritário do regime militar brasileiro, que preconizava a exaltação de heróis nacionais como “salvadores da pátria”. Nessa história escrita para exaltar os feitos dos chamados “grandes homens”, as camadas populares foram relegadas ao esquecimento. Mas, as guerras de Independência mostram que esse foi um processo difícil que contou com a participação de diferentes segmentos sociais, com destaque para as camadas populares, que, mesmo engrossando as fileiras das forças expedicionárias que lutaram contra os portugueses, foram invisibilizadas e tratadas como massa de manobra, sem que seus anseios, projetos e utopias fossem considerados relevantes. As atuais pesquisas históricas vêm questionando essas interpretações cristalizadas que apresentam a região centro-sul do país como protagonista da Independência, como representante de uma interpretação de caráter nacional, em detrimento das demais províncias, como as do Norte, silenciando outros “gritos” e outras margens, nem sempre tão “plácidas”. É importante considerar que cada província teve a sua particularidade no processo que levou à emancipação política do Brasil, como é o caso da província do Maranhão, que teve uma série de conflitos entre os setores da elite, e onde houve guerra para que os laços com Portugal fossem rompidos. As lutas ocorridas no território maranhense iniciaram na região sertaneja, no centro-sul da província, fronteira com o Piauí, portanto, nas margens do rio Parnaíba, essa grande fronteira fluvial que separa essas províncias-irmãs. As tropas vindas do Ceará e do Piauí desbravaram o interior maranhense angariando mais adeptos que simpatizavam com a causa da Independência, formando o chamado “Exército Auxiliador”, e que a historiografia a algum tempo vem chamando de “Exército Libertador”. Essas tropas eram chamadas de independentistas, e se destacaram com seu avanço, obtendo conquistas nas batalhas travadas com as forças legalistas que ainda se devotavam à Coroa Portuguesa, gerando um grande temor na capital São Luís onde se encontrava a Junta Governativa, comandada pelo Bispo Joaquim de Nossa Senhora de Nazaré, um português que representava bem esse grupo que resistia à incorporação do Maranhão ao novo Império. Esse “Exército Libertador” era muito heterogêneo, já que em sua composição contava com livres e escravizados, brancos, negros, mestiços, fazendeiros, caboclos, vaqueiros, pequenos lavradores, por fim, diferentes grupos sociais e étnicos. O palco da guerra foi a banda oriental (leste) do Maranhão, com destaque para as regiões de Itapecuru-Mirim, Brejo, Caxias e Pastos Bons. Esse grande contingente, com cerca de 6 mil homens, foi o grande responsável pela pressão militar que levou à rendição da Junta de Governo, embora os louros da vitória tenham ficado com o Almirante escocês Lorde Cochrane, enviado pelo Príncipe Regente para obter a capitulação da província do Maranhão, o que ocorreu com a sua chegada em 26 de julho de 1823, e a oficialização em 28 de julho por meio de uma cerimônia no Palácio do Governo, o atual Palácio dos Leões, com início às 11h, sem contar com a presença do almirante inglês, não havendo grandes cerimônias ou quaisquer comoções populares. Fizeram-se presente seis tripulantes do navio que se juntaram a 91 cidadãos, dentre os quais os membros da Junta de Governo e da Câmara e outros membros da elite, que, sob discrição, saudaram a integração do Maranhão ao Império do Brasil. Segundo os cronistas da época, ao redor do palácio havia poucas pessoas. Dessa forma, a saudação à Independência se deu com um simples tocar dos sinos, uma salva de tiros e o reconhecimento da Bandeira do Império do Brasil. Em 28 de julho de 2023, ao comemorarmos o Bicentenário da Independência do Brasil no Maranhão, devemos lembrar das lutas populares nesse processo, para rompermos com esses silêncios que foram construídos historicamente, e que explicam, em parte, o pouco interesse das autoridades e a falta de conhecimento da população com essa que é a data magna do Estado. Então, nessa data festiva damos vivas ao povo maranhense pelas lutas travadas para a conquista da emancipação política e pela batalha diária em prol de sua cidadania. [1] Professora Associada do Departamento de História da UEMA; Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, Cadeira nº 24. [2] Professor de instituições privadas de ensino superior; Membro do Núcleo de Estudos do Maranhão Oitocentista (NEMO).
Apesar de negar, Brandão já tem plano A, B, C e D para São Luís

DIÁRIO DE UMA PAIXÃO – O governador Carlos Brandão (PSB) negou publicamente estar envolvido nas eleições para prefeito de São Luís em 2024. Disse Brandão durante inauguração de um shopping em São Luís: “Eu não estou discutindo eleição de 2024”. A própria história de Brandão e os recentes fatos mostram que a declaração é bravata. Eleito deputado federal pela legenda em seu primeiro pleito, Brandão já foi presidente do partido. Inclusive, tornou-se vice-governador na coalisão que elegeu Flávio Dino em 2014 pelo PSDB (na época a maior legenda que compunha a aliança). Naquela eleição, Brandão chegou a colocar Aécio Neves e o ex-prefeito João Castelo no mesmo palanque de Flávio Dino. Há história e há sentimento. O carinho de Carlos Brandão pelo PSDB é sabido por todos que o conhecem. A GRANDE APOSTA – A ida do presidente da Câmara de Vereadores, Paulo Victor, para o PSDB, dá elementos para prever alguns dos acontecimentos que irão anteceder e ditar as eleições de 2024. A primeira e mais evidente delas: Paulo Victor é a primeira opção do governador Carlos Brandão e já há articulação para isso. Além de ir para o PSDB, Victor deve levar consigo mais sete vereadores de São Luís. Neste aspecto, é impossível que a ida de Paulo Victor para o PSDB não tenha as bençãos e anuência de Carlos Brandão. Aliás, o partido no estado é presidido pelo chefe de gabinete de Carlos Brandão, Sebastião Madeira. A atuação de Brandão na elevação da campanha de Paulo Victor não é fruto de inícios, mas de fatos. Hoje o candidato de Brandão tem nome e partido. MISSÃO IMPOSSÍVEL – Por meses o prefeito Eduardo Braide tentou o apoio do governador para sua reeleição. Contudo, faz muito tempo que o ministro Flávio Dino pediu a Brandão apenas um compromisso nas eleições de 2024: não apoiar o prefeito. Eduardo Braide carrega um título incômodo: foi o único a vencer Flávio Dino ao longo de sua década e meia de vida pública. Desde 2012, Flávio Dino só perdeu uma eleição: a de 2020 para Eduardo Braide. Varrê-lo da política é uma questão e honra para Dino da qual Brandão não pretende mover uma palha para evitar. O rancor de Dino por Braide chega ao ponto do ministro admitir apoio a outros desafetos, como o deputado estadual Neto Evangelista. Desde que Brandão não apoie e nem ajude Eduardo Braide. Nesta semana a Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema) iniciou uma série de cortes de abastecimento em prédios da Prefeitura de São Luís. A ação resulta de um débito de R$ 150 milhões acumulados ao longo de dezenas de anos que não é de responsabilidade de Braide, mas que será pago pelo prefeito. Maior declaração de guerra do que essa não existe. EFEITO BORBOLETA – O apoio a Paulo Victor é o plano A, a derrota do desafeto de Flávio Dino é o plano B. E o plano C? Aí entra a figura do deputado federal Duarte Jr. Adversário de Braide nas eleições de 2020, Duarte teve amplo apoio de Brandão naquelas eleições. A disputa entre os dois era vista como o primeiro round da eleição de 2022. O segundo turno teve Braide, candidato de Weverton, enfrentando Duarte, candidato de Brandão. Após a derrota, Duarte convocou uma reunião no Palácio dos Leões e culpou a todos, exceto a si mesmo, pela própria derrota. Ao lado de Duarte estava um cabisbaixo vice-governador Carlos Brandão ouvindo as reclamações daquele que lhe impôs a primeira derrota na longa batalha contra Weverton. Depois do episódio, o apoio e entusiasmo de Brandão foram reduzidos a uma convivência meramente protocolar. Acontece que Duarte é hoje o preferido do ministro Flávio Dino. Sua vitória, desde que ele consiga ir ao segundo turno, cairia na conta de Brandão e diminuiria a tensão entre Brandão e Dino. O AMIGO OCULTO – Vitória de Paulo Victor, derrota de Braide, vitória de Duarte… E o plano D? Também candidato nas eleições de 2020, o deputado estadual Neto Evangelista nutre o desejo de disputar as eleições do ano que vem pelo todo poderoso União Brasil. Evangelista conseguiu um feito: ajudou a acabar com a guerra civil entre o ministro Juscelino Filho e o deputado federal Pedro Lucas Fernandes. A união no União garante a Neto a disputa da eleição. E Brandão? Neto e Brandão foram correligionários na época em que o governador dava as Cartas no PSDB. Inclusive, o deputado já foi convidado a ajudar na “reconstrução do ninho tucano”. Pelo perfil, por ter apoiado Braide em 2022 e ser abandonado logo após as eleições, muitos acreditam que Evangelista encarna melhor o “candidato anti-Braide”. Brandão sabe disso. E, também por isso, o deputado figura como plano D. ZONA VERDE – Os “Planos de Brandão” são situações, positivas, negativas e indesejadas, que se apresentam. Nelas, a derrota de Braide e a vitória de Paulo Victor seriam a apoteose. Contudo, uma derrota do prefeito acompanhada da vitória de Neto Evangelista seria muito bem-recebida. Já a derrota de Braide e a ascensão de Duarte seria indesejada, mas razoável. Como o prefeito apresenta certa tendência a buscar o apoio daqueles que lhe querem o mal (caso do próprio Flávio Dino), até uma vitória do próprio Eduardo Braide não seria catastrófica. Se, e somente se, não contar com uma ajudinha de Brandão. Independente do resultado, o fato é que as eleições de 2024 já começam com um vencedor.
Duarte aciona STF contra deputada que o mandou “tomar no c…”

são luís, 27 DE JULHO DE 2023 – O deputado federal Duarte Jr. (PSB-MA) apresentou uma queixa ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a deputada Carla Zambelli (PL-SP), alegando crime de injúria em virtude de um episódio ocorrido durante uma audiência pública na Câmara dos Deputados. O incidente teve lugar em 11 de abril, durante a visita do ministro da Justiça, Flávio Dino, à Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado. Na ocasião, a parlamentar Carla Zambelli teria utilizado a expressão ofensiva “vá tomar no cu”, dirigida ao deputado Duarte Jr., causando constrangimento no ambiente legislativo. Na ação protocolada no STF, o deputado Duarte Jr. argumenta que o delito de injúria foi praticado em público, na presença de diversos parlamentares e pessoas que transitavam na Câmara dos Deputados Federais. Com base nessa circunstância, o deputado solicita a aplicação da majorante legal pertinente ao caso. A discussão entre os parlamentares durante a audiência pública trouxe à tona questões sobre o respeito no ambiente legislativo e o uso adequado da linguagem entre representantes eleitos. O caso agora segue em análise no Supremo Tribunal Federal, que deverá avaliar as circunstâncias do ocorrido e decidir sobre a admissibilidade da acusação de injúria feita pelo deputado Duarte Jr. contra a deputada Carla Zambelli.
Novo sistema de bilhetagem eletrônica é lançado em São Luís

SÃO LUÍS, 17 de julho de 2023 – Um novo sistema de bilhetagem eletrônica foi lançado em São Luís na segunda-feira (17). O sistema, que será implementado gradualmente até setembro, deve modernizar e tornar mais eficiente o transporte público na cidade. O novo sistema contará com validadores adicionais nas catracas dos ônibus, novos cartões de transporte e uma série de novas formas de pagamento, como PIX, QR Code e carteiras digitais. Os antigos cartões de transporte continuarão sendo aceitos até que as recargas antigas acabem. O sistema também contará com uma série de medidas de segurança para evitar fraudes, como biometria facial. Uma câmera fotográfica de alta resolução identificará o rosto do portador do cartão, evitando fraudes. O novo sistema de bilhetagem eletrônica é uma iniciativa da Prefeitura de São Luís, do Serviço Social do Transporte (SEST) e do setor de transporte coletivo da cidade. O sistema deve beneficiar todos os usuários de transporte público de São Luís, tornando a experiência mais moderna, inclusiva e segura. Aqui estão alguns dos principais benefícios do novo sistema de bilhetagem eletrônica: O novo sistema de bilhetagem eletrônica é uma importante melhoria para o transporte público de São Luís. O sistema deve tornar a experiência dos usuários mais moderna, inclusiva, segura e conveniente.
A ideologia dos juízes e a resistência da sociedade

Logo ao abrir o livro Curso de Direito Constitucional Contemporâneo de Luís Roberto Barroso, o leitor se depara com esta curiosa dedicatória: “Aos que sonharam com a revolução que não veio.Aos que não perderam o ideal.” Pouco depois, na primeira página do texto, o ministro Barroso rememora seus tempos de militância no movimento estudantil, iniciada em 1978. Essa menção nos sugere que os sonhadores aos quais dedica a obra são seus antigos correligionários do movimento estudantil e que a revolução sonhada é a revolução socialista, meta ideológica da imensa maioria senão de todos os participantes daquele movimento à época. Mas repare-se que o ministro não deixa a referência no passado nostálgico. Traz o seu contexto para o presente e para o futuro. Dedica o livro também aos que “não perderam o ideal”, deixando supor que se trate daqueles mesmos sonhadores que, amadurecidos, ainda almejam algum tipo de revolução orientada pelos mesmos valores básicos, embora não exatamente com a mesma forma da revolução desejada nos anos 70. É lícito imaginar que o próprio autor se veja, implicitamente, entre estes que “não perderam o ideal”. A primeira frase do livro dá uma ideia de qual possa ser o ideal em questão: “O direito constitucional e a teoria da Constituição passaram por uma revolução profunda e silenciosa nas últimas décadas. Disso resultou um conjunto amplo de transformações, que afetaram o modo como se pensa e se pratica o Direito no mundo contemporâneo.” (Pág. 21 da 5ª. edição). Da leitura combinada da dedicatória e da frase que se lhe segue imediatamente, na primeira página de texto, pode surgir uma suspeita e uma indagação: será que uma revolução constitucional substitui a revolução socialista nos sonhos daqueles que idealizavam, nos anos 70, uma sociedade comunista? Será que a revolução no direito constitucional e na teoria da Constituição é a revolução “que veio”, em contraste com a revolução socialista, “que não veio”, e permite, por novos caminhos, a consecução dos mesmos “ideais”? O certo é que, no decorrer do livro, o ministro Barroso explicita seu entendimento de que os juízes muitas vezes julgam de acordo com suas preferências ideológicas. A certa altura, com efeito, o ministro Barroso afirma: “O Direito pode e deve ter uma vigorosa pretensão de autonomia em relação à política. Isso é essencial para a subsistência do conceito de Estado de direito e para a confiança da sociedade nas instituições judiciais. A realidade, contudo, revela que essa autonomia será sempre relativa. Existem razões institucionais, funcionais e humanas para que seja assim. Decisões judiciais, com frequência, refletirão fatores extrajurídicos. Dentre eles incluem-se os valores pessoais e ideológicos do juiz (…)” (Pág. 460). Pouco depois, reitera: “Com efeito, a observação atenta, a prática política e pesquisas empíricas confirmam o que sempre foi possível intuir: os valores pessoais e a ideologia dos juízes influenciam, em certos casos de maneira decisiva, o resultado dos julgamentos.” (Pág. 462). A propósito, poder-se-ia indagar onde o ministro Barroso realizou essa “observação atenta” que o ajuda a concluir que a ideologia dos juízes influencia os julgamentos. No próprio Supremo Tribunal Federal? Possivelmente sim, pois um dos exemplos que cita em apoio à sua tese é o do voto do ministro Carlos Alberto Menezes Direito contrário à pesquisa com células-tronco de embriões humanos, posicionamento que, segundo sugere o ministro Barroso, teria sido influenciado pela ligação do ministro Menezes Direito ao “pensamento e à militância católica”. (Impossível não indagar aqui se algum voto ou medida de outro ministro do STF teria sido, no entendimento do ministro Barroso, influenciado por ligação à militância estudantil, por exemplo, ou ao pensamento socialista.) Observa o ministro Barroso à Pág. 460: “Por longo tempo, a teoria do Direito procurou negar esse fato [de que as decisões dos juízes são influenciados por fatores extrajurídicos entre os quais as preferências pessoais e ideológicas], a despeito das muitas evidências. Pois bem: a energia despendida na construção de um muro de separação entre o Direito e a política deve voltar-se agora para outra empreitada. Cuida-se de entender melhor os mecanismos dessa relação intensa e inevitável, com o propósito relevante de preservar, no que é essencial, a especificidade e, sobretudo, a integridade do Direito.” Os trechos citados parecem sustentar que é teoricamente desejável, mas na prática impossível, separar o Direito da política. Que é desejável, mas impossível, evitar que os juízes julguem por seus valores ideológicos (entre outros “fatores extrajurídicos”, cabendo perguntar aqui, data venia, que outros fatores extrajurídicos seriam esses). Entende-se que o objetivo realista, segundo o autor, é “melhor entender” – e não proibir – os “mecanismos dessa relação” entre Direito e política. Ao entender os mecanismos, parece acreditar o autor que é possível “conter” aquelas interferências ideológicas e outros fatores extrajurídicos. Como se daria essa contenção? Antes de mais nada, pela consciência do juiz de que suas preferências estão abaixo da Constituição e da lei. Ou seja, as preferências estão ali; os juízes não as afastam do seu campo decisório, apenas as “subordinam” ao texto legal ou constitucional. Além dessa disposição pessoal do juiz, seriam instrumentos de contenção das suas preferências pessoais também a pressão de outras instituições e a da sociedade civil. É o que se expõe no seguinte trecho: “Note-se, todavia, em desfecho do tópico, que eventuais preferências políticas do juiz são contidas não apenas por sua subordinação aos sentidos mínimos das normas constitucionais e legais, como também por fatores extrajudiciais, dentre os quais se podem destacar: a interação com outros atores políticos e institucionais, a perspectiva de cumprimento efetivo da decisão, as circunstâncias internas dos órgãos colegiados e a opinião pública.” (Pág. 463-464) A opinião pública, o sentimento social, parecem configurar, na linha de pensamento do autor, um meio de contenção especialmente importante das preferências pessoais dos juízes, pois reflete a expectativa de uma comunidade constituída de acordo com princípios democráticos. Veja-se à página 472: “O poder de juízes e tribunais, como todo poder político em um Estado democrático, é representativo. Vale dizer: é exercido em nome do povo e deve contas à sociedade. Embora tal assertiva seja razoavelmente óbvia, do ponto de vista da teoria democrática, a verdade é que a
Flávio Dino já invadiu tribunal e atacou juiz eleitoral

SÃO LUÍS, 20 de outubro de 2012 – Atualmente ministro da Justiça e um dos mais severos defensores das instituições democráticas, Flávio Dino (PSB) já invadiu um tribunal e agrediu um juiz eleitoral dentro das instalações. O caso aconteceu em 20 de outubro de 2012 e foi registrado em vídeo. Na ocasião, Dino invadiu a sede do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TER) e partiu para cima do juiz eleitoral Sergio Muniz. VÍDEO COMPROVA ATAQUE Imagens do circuito interno do Tribunal Regional Eleitoral mostram Flávio Dino andando pelas instalações do tribunal visivelmente alterado. Na época, Dino era patrono da campanha de Edivaldo Holanda Jr, que disputava a Prefeitura de São Luís. Edivaldo foi escolhido por Dino após o descumprimento de um acordo entre membros da oposição. Ocorre que, naquela época, iniciou-se uma proliferação de pesquisas eleitorais inédita na história do estado. Na época suspeitava-se da montagem de uma estrutura de empresas que tinham como meta influenciar, com dados mentirosos, as eleições. Sergio Muniz proibiu um destes institutos, o chamado DataM, de divulgar números que iriam supostamente beneficiar ligado ao candidato Edivaldo Holanda Júnior. “Coincidentemente”, após a decisão de Muniz, Flávio Dino foi ao TRE. Nas palavras da própria vítima, Sérgio Muniz, o encontro se deu da seguinte forma: “Eu estava saindo do gabinete para o banheiro quando fui surpreendido por este sujeito, totalmente descontrolado. Me chamou de vendido e acusou a própria Justiça Eleitoral. Respondi a ele e ele quase me agrediu”, disse na época. Como esperado, Dino negou o que as imagens mostram e os relatos de Muniz. Segundo ele, teria ido ao local conversar com o procurador-regional eleitoral, Marcílio Nunes Medeiros. Apesar das imagens mostrarem o descontrole de Flávio Dino, ele saiu do TRE sem ser incomodado após agredir verbalmente um juiz dentro do tribunal. Após o caso, Muniz pediu reforço policial para a cúpula da Justiça Eleitoral. “Imagine só: estou aqui sozinho, sem segurança alguma, cumprindo o plantão. Se este sujeito estivesse armado poderia ter me dado um tiro”, ressaltou.