
MARANHÃO, 14 de janeiro de 2026 – Amplas extensões do território nacional, principalmente nas grandes cidades, dominadas por facções criminosas armadas. Cenas de guerra em confrontos entre bandidos e polícia.
Execuções cinematográficas de autoridades e criminosos em público e à luz do dia. Infiltração na política e na economia formal, com lavagem de bilhões de dólares no mercado financeiro do país. Autoridades zonzas e nenhuma luz no final do túnel. Afinal, o Brasil já pode ser considerado um narcoestado?
Enquanto especialistas debatem o assunto e as autoridades batem cabeça em busca de soluções, independentemente do nome que se dê ao problema, o crime organizado avança país afora.
Pesquisas recentes mostram a extensão da percepção do brasileiro sobre o problema, e mostram que, se não agir rápido para uma curva de reversão, em pouco tempo talvez esse caminho não tenha mais volta.
De acordo com o estudo “Governança criminal na América Latina: prevalência e correlações”, realizada na universidade britânica de Cambridge e publicada em agosto de 2025 na revista de ciência política Perspectives on Politics, uma população entre 50,6 milhões a 61,6 milhões de pessoas no Brasil vive em locais que possuem regras diferentes das vigentes para os demais cidadãos.
São territórios onde prevalece também (ou apenas) o que mandam as facções criminosas.
Trata-se de algo entre 25% e 30% da população nacional, de acordo com o último Censo do IBGE.
Outro levantamento recente sobre o problema, conduzido pelo instituto de pesquisas Datafolha e divulgado em outubro do ano passado, traz um número um pouco menos catastrófico, mas não por isso menos alarmante: ao menos 28 milhões de brasileiros vivem em territórios sob jugo de facções criminosas ou milícias no país.
O crescimento foi de cinco pontos percentuais em um ano.
PRESENÇA DE FACÇÕES OU MILÍCIAS AUMENTA
Facções criminosas e milícias aumentaram sua presença e alcançaram a vizinhança de nada menos que 19% da população, aponta a pesquisa encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Um total de 2.007 pessoas com 16 anos ou mais foram entrevistadas em 130 municípios de todo o Brasil. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
O questionário cobriu questões como percepção sobre o crime organizado, roubos, agressões e golpes financeiros praticados em plataformas digitais. A presença de facções criminosas e milícias foi relatada com mais frequência em grandes cidades (com mais de 500 mil habitantes), nas capitais e na região Nordeste.
Ricos e pobres relataram a presença do crime organizado em suas vizinhanças com frequência similar.
Quem afirma ter sofrido com a presença do crime organizado no local onde mora também relata, com maior frequência, ter conhecimento sobre cemitérios clandestinos nas cidades onde mora. E também afirma encontrar grandes grupos de usuários de drogas, ou cracolândias, nos trajetos diária até o trabalho ou a escola.
Para o Fórum de Segurança Pública, os dados indicam a necessidade de melhorar a coordenação entre órgãos de segurança e criar políticas duradouras de combate ao crime organizado.
Os dados evidenciam também que está em curso um fenômeno de crescimento e ampliação do poder de captura das facções em relação ao controle de território e mercados.







