
ALEMANHA, 11 de novembro de 2025 – O governo da Alemanha decidiu não aderir ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), proposto pelo Brasil e estruturado em parceria com o Banco Mundial. O anúncio era esperado durante a COP30, realizada em Belém, mas o país europeu deixou o evento sem confirmar qualquer aporte financeiro ao projeto.
O fundo tem como meta captar US$ 25 bilhões de governos e US$ 100 bilhões de investidores privados, aplicando os recursos em títulos de renda fixa de economias emergentes. Parte dos rendimentos seria direcionada à preservação de florestas tropicais.
De acordo com informações do portal UOL, diplomatas da Alemanha afirmaram que o fundo apresenta riscos financeiros e precisa de ajustes para oferecer maior segurança aos doadores.
O chanceler Friedrich Merz participou da Cúpula dos Líderes, evento que antecedeu a abertura oficial da conferência, mas deixou o Brasil sem firmar compromissos. O Reino Unido também evitou anunciar adesão à iniciativa.
Os articuladores brasileiros esperavam um anúncio de aporte durante o almoço de lançamento do fundo, realizado em 6 de novembro. Diante da ausência de sinalização, criou-se expectativa em torno da reunião bilateral entre Merz e o presidente Lula, realizada no dia seguinte. O encontro terminou sem qualquer definição sobre valores ou prazos.
A desconfiança dos europeus está relacionada ao formato financeiro do TFFF. O economista alemão Max Alexander Matthey, estudioso do tema, destacou que o modelo depende de retornos de cerca de 8% ao ano — índice considerado elevado para mercados voláteis.
O esquema prevê remuneração de 4% aos investidores e destinação de 3% às ações de preservação florestal.
O professor Aidan Hollis, da Universidade de Calgary, no Canadá, também manifestou preocupação em artigos publicados ao longo do ano, reforçando que as metas de rentabilidade do fundo seriam otimistas diante do comportamento instável dos mercados emergentes.
A falta de garantias concretas sobre os rendimentos e a governança do projeto seguem entre os principais entraves para a adesão europeia.







