
MARANHÃO, 08 de abril de 2026 – A pulverização de agrotóxicos atingiu 222 comunidades rurais no Maranhão entre janeiro e março deste ano. O estudo aponta impactos na saúde da população, no meio ambiente e nas atividades agrícolas.
Em janeiro, foram registrados 142 casos, o maior volume do período e superior ao total contabilizado ao longo de 2025. Em seguida, fevereiro apresentou redução nas notificações. No entanto, especialistas indicam que o número pode estar subestimado, devido à falta de denúncias motivada por medo ou dificuldades no processo.
COMUNIDADES VULNERÁVEIS
Já em março, o levantamento identificou 45 comunidades afetadas em 11 municípios. Entre as cidades com maior número de registros estão São Benedito do Rio Preto, Chapadinha, Brejo, Anapurus e Timbiras.
Além disso, o estudo aponta que casos continuam ocorrendo mesmo em municípios com legislação que proíbe a pulverização, como Brejo e Timbiras. Dessa forma, os dados indicam falhas na fiscalização e no cumprimento das normas existentes.
O relatório mostra que mais de 75% das ocorrências envolvem comunidades tradicionais. Entre elas estão populações quilombolas e indígenas, que concentram a maior parte dos registros.
Em Chapadinha, por exemplo, 18 comunidades foram atingidas apenas em fevereiro. Já em São Benedito do Rio Preto, 27 comunidades sofreram impactos em janeiro. Também há registros em territórios indígenas, como Alto Turiaçu e Bacurizinho, com aldeias do povo Guajajara afetadas.
EFEITOS E CONSEQUÊNCIAS
Outro fator identificado no estudo é o chamado efeito deriva, quando o agrotóxico aplicado é transportado pelo vento para áreas vizinhas. Assim, plantações e residências fora da área de aplicação acabam sendo atingidas.
Moradores expostos relatam sintomas imediatos, como irritações na pele e nos olhos, dificuldade respiratória, náuseas, tontura e vômitos.
Em casos mais graves, há registros de convulsões e intoxicações severas, além de possíveis efeitos a longo prazo.







