
MARANHÃO, 09 de abril de 2026 – A Assembleia Legislativa do Maranhão (Alema) instalou, nesta quinta (9), uma CPI para investigar o vice-governador Felipe Camarão.
A medida foi adotada pela Mesa Diretora com base em informações enviadas pelo procurador-geral de Justiça, Danilo de Castro, que apontam movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada e possível uso de terceiros.
A comissão será composta por maioria de parlamentares governistas. Integram o colegiado Ricardo Arruda, Ana do Gás, Mical Damasceno, Yglésio Moyses e Adelmo Soares, indicados pelo bloco Unidos Pelo Maranhão.
Aluízio Santos representará o bloco Liberal Democrático, enquanto Rodrigo Lago foi indicado pela oposição.
Antes do início dos trabalhos, o deputado Rodrigo Lago apresentou questões de ordem para tentar impedir a instalação da CPI. No entanto, a Mesa Diretora rejeitou o pedido, e o recurso levado ao plenário não alterou a decisão, mantendo a criação do colegiado.
Apesar disso, o pedido do parlamentar será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Ainda assim, a tramitação não interfere na formação da comissão nem no andamento inicial das investigações.
As apurações têm origem em relatório do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas, elaborado com base em dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras. O documento cita transferências via Pix para mais de mil destinatários e operações fragmentadas.
DECISÕES JUDICIAIS
Segundo os dados analisados, as operações financeiras ocorreram em sequência e com divisão de valores, padrão que pode dificultar o rastreamento dos recursos. As informações foram encaminhadas às autoridades competentes para fundamentar a investigação no âmbito legislativo.
Paralelamente, o Tribunal de Justiça do Maranhão decidiu adiar a análise de um pedido que busca suspender a CPI. A Corte aguarda esclarecimentos da Assembleia antes de tomar uma decisão sobre o caso.
No Superior Tribunal de Justiça, o ministro Og Fernandes suspendeu temporariamente o andamento do pedido de afastamento do vice-governador. A decisão considerou a ausência de manifestação prévia da defesa antes da adoção de medidas.
Com a definição da composição e sem impedimentos imediatos das cortes superiores, a CPI deve iniciar suas atividades nos próximos dias na Assembleia Legislativa do Maranhão.
VEJA OS POSSÍVEIS CRIMES COMETIDOS POR CAMARÃO NA VICE-GOVERNADORIA
Crimes Investigados
- Lavagem de Capitais: O documento cita expressamente a apuração de crimes de lavagem de dinheiro, estruturados em operações de fracionamento, dissimulação e ocultação de valores.
- Crimes contra a Administração Pública: São mencionadas infrações penais conexas com foco em delitos contra a administração, incluindo o uso da máquina administrativa para a consecução de crimes.
Fatos e Condutas Destacados no documento
A investigação detalha uma série de condutas que fundamentam as suspeitas de ilícitos:
Recebimento de Valores de Servidores: Identificou-se o recebimento de depósitos feitos por servidores da Secretaria de Educação e da própria Vice-Governadoria nas contas do investigado.
Incompatibilidade Financeira: A movimentação bancária de Felipe Camarão revelou um fluxo financeiro expressivo (mais de R$ 4,6 milhões em créditos extra-salário) que extrapola de forma relevante sua renda formal declarada.
Uso de Operadores Financeiros (Policiais Militares): Policiais lotados em sua segurança institucional, como Thiago Brasil Arruda e Alexandre Guimarães Nascimento, são apontados como operadores que movimentavam milhões e repassavam valores ao Vice-Governador ou quitavam suas despesas pessoais.
Depósitos em Espécie e Fracionamento: Foram identificados 230 depósitos em espécie sem identificação do depositante, além de uma estratégia de fracionamento de valores (depósitos de até R$ 2.000,00) para dificultar o rastreio da origem do dinheiro.
Pagamento de Despesas Pessoais por Terceiros: O documento cita que o policial Thiago Arruda pagou reservas em hotéis de luxo (como o Fairmont Rio de Janeiro) e guias de impostos (DARFs) em benefício de Felipe Camarão.
“Caixa Dois” para Marketing Político: Há indícios de que o policial Alexandre Nascimento operava um “caixa paralelo” para financiar impulsionamento digital e publicidade em redes sociais em favor de Felipe Camarão, totalizando mais de R$ 350.000,00.
Ocultação e Dissimulação: Uso de perfis de WhatsApp com fotos falsas para dificultar a identificação. Utilização de uma conta bancária e chave PIX vinculadas materialmente a Felipe Camarão, mas formalmente registradas em nome de seu irmão, Carlos Gustavo.







