
SÃO LUÍS, 1º de abril de 2026 – Um beneficiário do Bolsa Família, identificado como Willame Alves dos Santos, de 26 anos, assumiu a administração de uma empresa de ônibus em São Luís (MA), no dia 29 de janeiro, ao tornar-se sócio da DAJP Participações, holding com capital de R$ 3 milhões.
A DAJP Participações controla a Expresso Rei de França e a Expresso Grapiúna, empresas que operam na capital maranhense e integram o Consórcio Via SL. Ambas enfrentam recuperação judicial devido a dívidas que somam R$ 177 milhões.
Documentos registrados na Junta Comercial do Maranhão indicam que Willame adquiriu 100% das cotas da holding. Até então, a empresa estava em nome de Deborah Piorski Ferreira, ligada ao empresário Pedro Paulo Pinheiro Ferreira.
Pedro Paulo, conhecido como PP, é apontado como sócio oculto do grupo. A mudança societária não teve manifestação pública da defesa das empresas nem do administrador judicial responsável pelo processo de recuperação.
Além disso, as empresas anunciaram, em 27 de março, a paralisação temporária dos ônibus em São Luís. Segundo as companhias, a decisão ocorreu por falta de repasses financeiros da Prefeitura.
MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS E INVESTIGAÇÕES
Registros bancários indicam que valores recebidos do poder público foram transferidos para outras empresas. Entre os dados, consta o repasse de R$ 1,6 milhão à mineradora Goldcoltan em cerca de três meses.
No total, as movimentações identificadas somam R$ 6,7 milhões em débitos. As informações apontam a utilização de estruturas empresariais distintas para movimentação de recursos vinculados ao grupo.
Atualmente, Pedro Paulo ocupa o cargo de vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís. A entidade gerencia a arrecadação do sistema de transporte e distribui recursos às operadoras.
Credores apontam que familiares de Pedro Paulo aparecem como sócios em diversas empresas. Deborah Piorski Ferreira figurava como responsável formal pelas companhias de transporte antes da alteração recente.
Jessica Piorski, filha do empresário, consta como proprietária de empresas em diferentes setores, incluindo transporte, mineração, comércio e serviços financeiros, conforme registros empresariais disponíveis.
Inclusive, Adriana Piorski integra o quadro societário de uma empresa de mineração. Já Simone Piorski, apontada como matriarca da família, aparece como sócia de mineradoras e de uma empresa de transporte.
HISTÓRICO DO NOVO SÓCIO
Willame Alves dos Santos foi preso em flagrante em março de 2024, em Fortaleza, sob suspeita de estelionato e posse de entorpecentes para consumo pessoal, conforme consta em processo criminal.
Segundo os autos, ele teria participado de pedidos fraudulentos em uma pizzaria, com envio de comprovantes falsificados de Pix. A polícia apreendeu substâncias ilícitas durante a ocorrência.
Apesar da prisão, a Justiça concedeu liberdade provisória mediante medidas cautelares. Em outro processo, ele é acusado de inadimplência após adquirir uma motocicleta financiada em 48 parcelas.
O nome de Willame também consta como beneficiário do Bolsa Família desde 2020, conforme dados oficiais. Atualmente, ele recebe parcelas mensais de R$ 600 do programa federal.







