
O Sindicato Nacional dos Aposentados e Pensionistas da Força Sindical, o Sindnapi, efetuou 26.462.669 descontos entre janeiro de 2015 e março de 2025, arrecadando um total de R$ 599.520.490,37.
Com isso, foi a terceira entidade que mais arrecadou no período investigado, segundo o relatório final da CPMI do INSS, assinado pelo deputado Alfredo Gaspar.
O material mostra que mais da metade do valor, 56%, foi descontada durante o governo Lula, quando a arrecadação do Sindnapi teve aumento expressivo. De 2023 a 2025, a entidade arrecadou R$ 339,5 milhões.
O vice-presidente do Sindnapi é o sindicalista José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Lula. Apesar de ser citado no relatório, Frei Chico não foi indiciado. Na lista de indiciados estão o presidente da entidade, Milton Baptista de Souza, o Milton Cavalo, e a ex-coordenadora jurídica, Tonia Inocentini Galleti.
O relatório aponta que o Sindnapi prestou declaração falsa ao INSS ao omitir a relação de José Ferreira da Silva com o presidente da República. Pelas regras dos acordos das entidades com o INSS, é proibido que entidades tenham como dirigentes parentes de integrantes do poder público.
Os descontos aumentaram a partir de 2020 e 2021, quando beneficiários do INSS que buscavam empréstimos consignados passaram a ser automaticamente filiados ao Sindnapi sem saber. A partir daí, a entidade descontava uma mensalidade dos aposentados. A prática seria legal apenas se houvesse autorização, o que não ocorria.
Um termo de adesão datado de maio de 2023 teria sido criado em junho de 2024 por ex-funcionária do sindicato, segundo investigação da Controladoria-Geral da União. O relatório conclui que os documentos foram “literalmente fabricados por pessoa formalmente empregada do Sindnapi”.
O senador Sergio Moro afirmou durante os trabalhos da CPMI que 247 mil associados já pediram restituição dos descontos e que, na base de dados da CGU, há mais de 200 mil denúncias de supostos associados dizendo que nunca autorizaram os descontos.







