
BRASÍLIA, 25 de março de 2026 – Membros da Advocacia-Geral da União (AGU) receberam R$ 6,1 bilhões em honorários no ano de 2025. O montante representa um valor recorde e supera o registrado no ano anterior, quando a soma foi de R$ 2,1 bilhões. As informações são do jornal Folha de S.Paulo com base em dados do Portal da Transparência.
O levantamento aponta que 5,8 mil servidores do órgão obtiveram remuneração extra superior a R$ 700 mil no período. Esse total equivale a quase metade dos 13 mil funcionários da AGU. Pagamentos retroativos e auxílios de alimentação e saúde explicam o montante elevado.
PENDURICALHO
Entre os beneficiados está o atual chefe da AGU, Jorge Messias, indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo presidente Lula. Ele recebeu R$ 713,5 mil em valores brutos, além do salário de ministro. Esse valor supera a média recebida pelos integrantes da AGU, estimada em R$ 470,5 mil.
Em nota à Folha, a AGU informou que Messias tem direito à verba por integrar a carreira do órgão. A instituição afirmou ainda que os pagamentos respeitam o teto remuneratório do funcionalismo, fixado em R$ 46,1 mil mensais. A União retém parte do pagamento mensal do ministro por meio do chamado “abate-teto”.
HONORÁRIOS
Os honorários da AGU foram criados em 2017 e funcionam como um bônus para servidores da área jurídica do Executivo. Advogados da União, procuradores da Procuradoria-Geral Federal, do Banco Central e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional estão entre os beneficiados.
A medida configura um tipo de penduricalho que amplia a remuneração das carreiras no órgão.
O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma na quarta (25), o julgamento sobre essas verbas extras. A Corte também analisa um recurso extraordinário que discute a legalidade da equiparação de diárias pagas a magistrados e a integrantes do Ministério Público.
O Conselho Curador dos Honorários Advocatícios, entidade de natureza privada, realiza o repasse dos valores e é gerido por representantes das próprias carreiras.







