
BRASÍLIA, 14 de março de 2026 – O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), enviou um ofício solicitando a liberação de mais de R$ 370 milhões em emendas impositivas. O documento foi encaminhado ao próprio gabinete do senador e trata do repasse de recursos de emendas de comissão e de valores remanescentes do chamado orçamento secreto.
Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, o pedido consta em um documento de 15 páginas encaminhado em abril de 2025. O valor solicitado equivale a cerca de cinco vezes o montante anual que um senador pode receber por meio de emendas impositivas no orçamento federal.
Entre os valores indicados no documento, R$ 30 milhões foram destinados a uma obra de revitalização de rodovia no Amapá. A obra foi executada por uma construtora ligada ao empresário Breno Chaves Pinto, que ocupa a posição de segundo suplente de Alcolumbre no Senado Federal.
A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba realizou o repasse dos recursos à Secretaria Estadual de Transportes do Amapá. O órgão estadual ficou responsável pela contratação da empresa que executou os serviços na rodovia mencionada.
Alcolumbre afirmou que enviou o documento a si próprio para cumprir um acordo firmado entre o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal. O entendimento prevê a identificação do parlamentar responsável pela indicação de cada emenda incluída no orçamento.
O empresário Breno Chaves Pinto é investigado pela Polícia Federal em apuração sobre possíveis irregularidades em contratos públicos no Amapá. O caso envolve suspeitas de fraudes em licitações relacionadas ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes.
Durante a investigação, agentes da Polícia Federal registraram o momento em que Chaves Pinto deixou uma agência bancária transportando R$ 350 mil em dinheiro. Os investigadores também identificaram que ele entrou em um veículo registrado em nome de uma empresa pertencente a primos de Alcolumbre.
A apuração teve início após alerta do Conselho de Controle de Atividades Financeiras. O órgão informou às autoridades sobre saques em espécie considerados elevados.
Segundo a Polícia Federal, as retiradas ocorreram pouco tempo depois do recebimento de recursos oriundos de contratos públicos.







