
BRASÍLIA, 09 de março de 2026 – A Polícia Federal (PF) informou que não identificou, até o momento, indícios de irregularidade nas mensagens atribuídas ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, trocadas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A corporação analisou registros encontrados durante investigação envolvendo o empresário e concluiu que não há elementos que justifiquem abertura de apuração contra o magistrado.
No entanto, a avaliação dos investigadores em relação ao ministro Dias Toffoli seguiu outro caminho. Segundo a PF, surgiram indícios que levantam suspeitas sobre uma possível relação de negócios entre o Banco Master e o Tayayá Resort, empreendimento do qual Toffoli e seus irmãos eram sócios.
Em fevereiro, a Polícia Federal levou ao então presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, informações relacionadas às suspeitas envolvendo Toffoli. De acordo com os investigadores, os dados indicariam possíveis vínculos entre o Banco Master e o Tayayá Resort que poderiam caracterizar crimes financeiros.
A corporação reuniu os elementos após analisar materiais apreendidos em investigações relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. As informações foram encaminhadas ao Supremo para conhecimento da presidência da Corte.
Além disso, as suspeitas surgiram durante a apuração de operações financeiras ligadas ao Banco Master. Os investigadores buscam entender se houve relações comerciais entre a instituição e o resort ligado ao ministro e seus familiares.
MENSAGENS ENCONTRADAS NO CELULAR
Reportagem do jornal O Globo revelou que a Polícia Federal encontrou no celular de Vorcaro pelo menos nove mensagens atribuídas a Alexandre de Moraes. Os registros teriam sido enviados em 17 de novembro de 2025, data em que o ex-banqueiro foi preso durante operação policial.
De acordo com a reportagem, os horários das mensagens coincidem com imagens de anotações guardadas em um bloco de notas no celular de Vorcaro. Os textos mencionariam negociações para tentar salvar o Banco Master e também fariam referência ao inquérito que investigava o empresário.
Os dados indicam que a comunicação teria ocorrido por meio de mensagens com destruição automática. Para evitar rastreamento, Vorcaro escrevia o conteúdo em um bloco de notas e depois enviava o texto como imagem configurada para visualização única.
NEGATIVA DO MINISTRO
Segundo o relato publicado pelo jornal, Vorcaro informou nas mensagens que tentava negociar com investidores para salvar o Banco Master. Na mesma data, ocorreu o anúncio de um acordo para venda da instituição ao Grupo Fictor.
Em um dos textos registrados nas anotações, o ex-banqueiro afirmou que buscava antecipar negociações com investidores para conseguir assinar e anunciar parte do acordo ainda naquele dia.
O ministro Alexandre de Moraes, no entanto, afirmou em nota que não recebeu as mensagens mencionadas. Segundo o magistrado, o conteúdo teria sido enviado a outra pessoa, e não diretamente a ele.







