AMBIENTE EM RISCO

Moradores da Vila Maranhão começam a voltar para casa

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Moradores zona rural
Justiça permite volta gradual dos moradores atingidos por vazamento químico, condicionada ao cumprimento de exigências ambientais pela empresa responsável.

VILA MARANHÃO, 20 de fevereiro de 2026 – Cerca de 300 moradores da Vila Maranhão, em São Luís, começaram a retornar às residências nesta sexta (20), após acordo judicial que condiciona a volta ao cumprimento integral de exigências ambientais pela empresa responsável pelo vazamento de fertilizantes.

A decisão ocorreu após audiência no Fórum Sarney Costa, que avaliou o cumprimento das medidas determinadas pela Justiça.

Durante a audiência, representantes das famílias, advogados, órgãos públicos e técnicos ambientais analisaram as providências adotadas após o incidente na Vila Maranhão.

Pelo acordo, a Valen Fertilizantes e Armazéns Ltda. somente poderá retomar suas atividades se atender a uma série de requisitos ambientais e estruturais previamente estabelecidos.

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Entre as determinações, a empresa deve realizar operações apenas em áreas internas e cobertas, além de implantar sistemas de contenção para evitar novos vazamentos. Também deve instalar estação de tratamento e decantação, bem como ampliar o fornecimento de água potável às famílias afetadas.

Além disso, o acordo prevê o dobro de caixas d’água e a distribuição de água mineral aos moradores da Vila Maranhão. Uma nova audiência foi agendada para ocorrer em 30 dias, quando será apresentada a estimativa dos danos ambientais e discutida a possibilidade de um acordo definitivo.

Anteriormente, os moradores deixaram suas casas após relatarem irritações na pele, agravamento de doenças respiratórias e desconforto causado por forte odor químico. A comunidade também denunciou poeira constante, manchas na vegetação e alteração na coloração da água, que passou a apresentar tom esverdeado.

Diante do risco ambiental na Vila Maranhão, a Justiça determinou a retirada imediata das famílias, após pedido de medidas urgentes feito pelo Ministério Público do Maranhão. O caso resultou no reconhecimento judicial de um desastre ambiental ativo, com acompanhamento de órgãos ambientais.

Laudos da Secretaria de Estado de Meio Ambiente indicaram que o vazamento teve origem em maquinários sem proteção, enquanto as chuvas contribuíram para espalhar o material para fora do terreno da empresa. Já a Secretaria Municipal de Urbanismo e Habitação identificou obras sem alvará e estruturas que facilitavam o escoamento de resíduos.

Entre as obrigações impostas, a empresa deve custear hospedagem temporária por pelo menos 30 dias, fornecer água potável em até 24 horas, disponibilizar equipes médicas e psicossociais, realizar exames clínicos e toxicológicos, remover maquinário contaminado e apresentar plano de contingência ambiental.

A retomada das atividades permanece proibida até autorização dos órgãos competentes. Equipes técnicas seguem monitorando a retirada do material contaminado e as condições ambientais, enquanto vistorias recentes apontaram ausência de odor químico ativo, condicionando a liberação definitiva à comprovação de segurança.

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