
BRASÍLIA, 16 de fevereiro de 2026 – Levantamento realizado aponta que prefeitos de capitais que deixam o cargo antes do fim do mandato para concorrer a governos estaduais enfrentam histórico desfavorável nas urnas. Desde 2002, apenas seis dos 19 gestores municipais que adotaram essa estratégia conseguiram se eleger, o que representa um índice de sucesso de aproximadamente 30%.
O tema ganha relevância diante da possibilidade de prefeitos como Eduardo Paes, do Rio de Janeiro, e João Campos, do Recife, renunciarem até abril para ingressar na disputa estadual. A decisão envolve riscos políticos consideráveis, conforme demonstra a trajetória de seus antecessores em eleições passadas.
Entre os prefeitos que deixaram o cargo e lograram êxito nas urnas, destacam-se dois nomes de São Paulo: João Doria, eleito governador em 2018, e José Serra, em 2006. Serra, no entanto, enfrentou forte escrutínio público por ter assinado compromisso de cumprir integralmente o mandato municipal durante a campanha de 2004.
Outros casos bem-sucedidos incluem Wilma Faria, no Rio Grande do Norte em 2002, Marcelo Déda, em Sergipe em 2006, e, em 2010, Beto Richa, no Paraná, e Ricardo Coutinho, na Paraíba. Esses exemplos mostram que a estratégia, embora arriscada, pode ser viável em determinados contextos políticos regionais.
EXEMPLOS DE DERROTAS MARCAM TRAJETÓRIAS
Já entre os insucessos figura o ex-prefeito de Porto Alegre Tarso Genro, derrotado em 2002 na disputa pelo governo gaúcho, embora tenha vencido o pleito oito anos depois.
Outro revés recente foi o de Alexandre Kalil, que deixou a prefeitura de Belo Horizonte para concorrer ao governo de Minas Gerais em 2022, sendo derrotado por Romeu Zema ainda no primeiro turno.
O cientista político Marco Antonio Teixeira, da FGV EAESP, aponta que a saída antecipada costuma ser interpretada pelo eleitor como quebra de compromisso. Essa percepção pública ajuda a explicar o alto índice de derrotas entre gestores municipais que optam por renunciar ao mandato em busca de novos cargos.
O episódio envolvendo José Serra é frequentemente citado como símbolo desse desgaste político. Durante a campanha de 2004, ele assinou compromisso público de cumprir o mandato, mas deixou a prefeitura dois anos depois para disputar o governo estadual, sagrando-se vencedor.
A decisão foi explorada posteriormente por Fernando Haddad na eleição municipal de 2012.
João Doria repetiu movimento semelhante ao deixar a prefeitura de São Paulo para concorrer ao governo, obtendo vitória. Contudo, fracassou ao tentar renunciar ao cargo de governador para disputar a Presidência da República, não conseguindo viabilizar sua candidatura nem eleger o sucessor Rodrigo Garcia.
Cenário no Rio e Pernambuco atrai atenções
No caso do Rio de Janeiro, a eventual candidatura de Eduardo Paes seria inédita entre prefeitos da capital fluminense. Historicamente, o único ex-prefeito da cidade que chegou ao governo estadual foi Marcello Alencar, eleito em 1994 após deixar o cargo e romper com Leonel Brizola.
Outro caso foi Anthony Garotinho, então prefeito de Campos dos Goytacazes, eleito governador em 1998.
Em Pernambuco, João Campos enfrenta cenário semelhante, precisando lidar com a força da governadora Raquel Lyra, que pode disputar reeleição, além do peso da máquina estadual. Como trunfo, carrega o legado familiar de Eduardo Campos e Miguel Arraes, nomes tradicionais na política local.
Outros movimentos e precedentes regionais
Outro nome cotado para deixar o cargo é o prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), que avalia renunciar, embora aliados considerem improvável sua candidatura caso o ministro Renan Filho entre na disputa.
Fora das capitais, há precedentes de sucesso, como Cássio Cunha Lima, que deixou a prefeitura de Campina Grande e se elegeu governador da Paraíba.







