
SÃO LUÍS, 11 de fevereiro de 2026 – O deputado estadual Dr. Yglésio denunciou, na tribuna da Assembleia Legislativa, supostas irregularidades no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de São Luís. Segundo ele, o serviço opera com número reduzido de ambulâncias e enfrenta problemas estruturais que comprometem atendimentos.
O parlamentar afirmou que a rede deveria contar com 12 ambulâncias básicas, mas, atualmente, apenas seis estariam em circulação. Em alguns períodos, o número cairia para três. Já as unidades de suporte avançado operariam com duas ou três viaturas.
De acordo com o deputado, veículos apresentam falhas mecânicas frequentes, como problemas de câmbio, óleo e pneus. Ele também relatou inversão na lógica de atendimento, com ambulâncias básicas realizando ocorrências complexas por falta de unidades adequadas.
O ponto mais grave, segundo o parlamentar, seria uma suposta “maquiagem operacional” da frota. Ele afirmou que ambulâncias alternariam números de identificação no sistema para aparentar quantidade superior à disponível. A denúncia foi formalizada junto ao Ministério Público.
“A ambulância tem um número, um número de rastreio no sistema do SAMU. A ambulância dita 9035, ela roda, Bráulio, 15 dias como referência 9035. E aí, por outros 15 dias, ela roda como 9041; 15 dias, 9035; 15 dias, 9041. A 9038 roda 15 dias como 9038; 15 dias, como 9040. A coisa é tão grave que aqui, hoje, nós temos uma ambulância que às vezes nem troca o adesivo, troca só a nomenclatura no sistema, às vezes troca o adesivo. Então, isso aqui é gravíssimo, porque estão inflando o SAMU, para fazer cobrança por ambulância, mas não estão entregando. Então, nós estamos diante de uma fraude”, afirmou Yglésio.
Dr. Yglésio comparou o Samu à Central Interna de Ambulâncias (CIA), serviço contratado pelo município para transporte inter-hospitalar. Segundo ele, a CIA dispõe de 22 ambulâncias e mantém funcionamento regular, enquanto o Samu enfrenta atrasos e falhas operacionais.
O deputado também criticou a gestão administrativa do serviço e apontou precariedade nas condições de trabalho. Conforme relatou, profissionais dormem em colchões no chão e enfrentam longos plantões.
Segundo o parlamentar, médicos recebem cerca de R$ 1.200 líquidos por plantão, valor que, segundo ele, permanece inalterado há dez anos. Enfermeiros receberiam R$ 187,50 por plantão extra, enquanto técnicos de enfermagem ganhariam R$ 100. Durante o Carnaval, os valores seriam reajustados temporariamente.
O deputado cobrou providências do prefeito Eduardo Braide e da secretária municipal de Saúde, Ana Carolina Mitre. Ele afirmou que falhas no atendimento de urgência colocam vidas em risco e defendeu a recomposição da frota e melhorias nas condições de trabalho.







