
SÃO LUÍS, 06 de fevereiro de 2026 – O deputado estadual Dr. Yglésio discursou nesta quinta (5) na Assembleia Legislativa, durante o primeiro pronunciamento do ano, e questionou a gestão do Tribunal de Justiça.
Ele afirmou que o presidente do TJ, desembargador Froz Sobrinho, determinou de forma monocrática a transferência de R$ 2,8 bilhões do Banco do Brasil para o BRB, alegando maior rentabilidade.
Segundo o parlamentar, a mudança foi debatida em sessão do tribunal. Na ocasião, o desembargador Paulo Velten declarou que não participaria da resolução do caso, pois o problema teria sido criado pela própria Presidência. Além disso, Yglésio cobrou esclarecimentos técnicos sobre a operação financeira e seus impactos nos cofres públicos.
“[…] A justificativa foi: olha, nós tínhamos uma aplicação no Banco do Brasil que rendia 3 milhões, por mês, e essa do BRB ia gerar 15. Não existe banco no planeta que entregue 5% a mais, 5 vezes mais, porque uma aplicação num CDB do Banco do Brasil vai gerar 1%. O do BRB vai gerar 5%. Isso é pirâmide. Obviamente que isso é dinheiro que vai ser, lá na frente, desviado pela instituição que está oferecendo. E já mostrou o resultado da apuração em cima do BRB que o banco está insolvente, vai precisar de 4 bilhões de reais do FGC, do Fundo Garantidor de Crédito, para tentar sobreviver. E os ativos que foram daqui para o BRB podem ter alguma chance, espero que estejam cobertos por algum tipo de guarda-chuva contratual, Bráulio, para que os depósitos judiciais, os precatórios maranhenses, eles não fiquem em risco”, discursou Yglésio.
De acordo com o relato, a justificativa apresentada indicava rendimento mensal de R$ 3 milhões no Banco do Brasil e expectativa de R$ 15 milhões no BRB. O deputado afirmou que a diferença representaria multiplicação da rentabilidade. Por isso, classificou o percentual como incomum para aplicações bancárias tradicionais, como CDBs.
Ainda conforme o discurso, ele citou informações de que o BRB enfrentaria dificuldades financeiras e poderia recorrer a cerca de R$ 4 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito. Apontou preocupação com a segurança dos valores transferidos. Os recursos incluem depósitos judiciais e precatórios vinculados ao Judiciário maranhense.
“Em relação aos ativos, os ativos dos depósitos judiciais, isso aqui a sociedade tem direito de cobrar explicação, porque a explicação que ele deu não se sustenta. Não é possível que não tem um setor de gestão financeira do TJ que tenha chegado: ‘Desembargador, esse negócio aqui de sair de três para quinze, isso aqui não vai dar certo.’ Porque não tem mágica, não tem banco que pague 5% ao ano. Só agiota que recebe 5% em cima de dinheiro. E eu acredito que não foi o caso em relação a isso aí. Desembargador Froz é uma pessoa que tem história, tem formação e creio que não deveria ter caído nisso aí.”
O parlamentar declarou não ter posicionamento pessoal contra o presidente do TJ, mas defendeu transparência na gestão dos ativos. Ele afirmou que a sociedade tem direito a explicações detalhadas sobre a decisão. Além disso, questionou a ausência de pareceres técnicos do setor financeiro do tribunal antes da transferência.







