
BRASÍLIA, 30 de janeiro de 2026 – As empresas estatais federais, excluindo Petrobras e bancos públicos, acumularam um déficit primário de R$ 18,5 bilhões entre janeiro de 2023 e agosto de 2025. O dado foi compilado pelo CNN Money com base em informações do Banco Central e representa o maior resultado negativo da série histórica para o período.
Em 2023, o rombo foi de R$ 2,2 bilhões. No ano seguinte, o valor quase quadruplicou, atingindo R$ 8,07 bilhões. Nos oito primeiros meses de 2025, o déficit já soma R$ 8,3 bilhões.
A Petrobras ficou fora do cálculo por seguir regras de governança corporativa compatíveis com empresas privadas de capital aberto e por ter autonomia para captar recursos nos mercados interno e externo.
Os Correios aparecem como o principal fator de impacto nas contas. A estatal enfrenta uma crise financeira e anunciou recentemente um plano de reestruturação com previsão de empréstimo de R$ 20 bilhões. No primeiro semestre de 2025, a empresa acumulou déficit de R$ 4,3 bilhões. Em 2024, o valor foi de R$ 2,6 bilhões.
Especialistas ouvidos pela CNN Brasil avaliam que a tendência de déficit pode continuar, principalmente diante do cenário político e fiscal atual. Para a advogada Deborah Toni, especialista em direito público, o ambiente de pré-ano eleitoral em 2025 contribui para a postergação de ajustes e para a resistência a medidas impopulares. Ela afirmou que, sem mudanças estruturais, o desequilíbrio das estatais tende a se prolongar.
O Ministério da Gestão e Inovação argumenta que o resultado primário não reflete, por si só, a saúde financeira das estatais. A pasta afirma que, quando uma empresa utiliza recursos acumulados de exercícios anteriores para investir ou pagar dividendos, pode haver déficit primário sem que isso represente um desequilíbrio real.







