
BRASIL, 26 de janeiro de 2026 – Um terço dos cursos de medicina do país reprovaram no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) de 2023. O Ministério da Educação (MEC) divulgou que 40% dos mais de 39 mil estudantes do último ano não atingiram a proficiência mínima exigida para atuar.
A prova, que avalia os 351 cursos existentes, revelou falhas elementares em diagnósticos comuns. Consequentemente, o MEC anunciou sanções para as faculdades com notas mais baixas.
Um relatório do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) detalhou os equívocos. Entre os quase 13 mil reprovados, 66% erraram uma questão sobre o manejo de sintomas graves de dengue. Da mesma forma, 65% não souberam investigar uma dor de cabeça com sinais de gravidade em uma paciente.
A prescrição de medicamentos também apresentou problemas. Em uma questão sobre doença de Parkinson, por exemplo, 56% dos estudantes erraram os dois remédios indicados.
Apesar de ser uma prova teórica, o MEC afirma que o exame cobra conhecimentos essenciais da prática clínica. Dessa forma, os resultados acendem um alerta sobre a qualidade do ensino oferecido.
Alunos de instituições com baixo desempenho citam deficiências na infraestrutura, com ausência de hospital-escola, estágios superlotados, sobrecarga de professores e falta de especialistas.
A diretoria do sindicato das universidades privadas, contudo, questiona o uso isolado do exame. Para o diretor Rodrigo Capelato, dizer que 13 mil estudantes estão inaptos com base em uma prova é um exagero. As instituições criticadas defenderam suas avaliações presenciais e afirmaram que o Enamed não reflete, sozinho, a qualidade do curso.
No entanto, o Conselho Federal de Medicina defende a criação de um exame de proficiência obrigatório pós-graduação.







