
BRASÍLIA, 22 de janeiro de 2026 – A Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup) entrou com uma ação na Justiça para tentar evitar punições de faculdades de Medicina por notas baixas no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025, divulgadas na última segunda (19).
Segundo o Inep, órgão responsável pela prova no Ministério da Educação (MEC), quase um terço das faculdades de medicina apresentaram notas 1 e 2 no exame, em uma escala de 1 a 5, valores que apontam um desempenho acadêmico “insatisfatório”.
Ao divulgar os dados, o MEC confirmou sanções para as instituições com desempenho baixo, como redução de vagas e suspensão do Fies.
Ao recorrer à Justiça, na última terça (20), a Anup não contesta os resultados da avaliação, mas alega que os dados enviados às instituições por meio do e-MEC, antes da divulgação ao público, seguiram critérios diferentes.
Para a Anup, essa divergência entre o que o MEC informou às faculdades e o que foi divulgado ao público mostra que o exame necessita de “mais tempo para consolidação técnica e institucional”.
A entidade solicitou que sejam considerados exclusivamente os dados oficiais disponibilizados anteriormente, assim como revisão de critérios que impactam diretamente a avaliação.
Inep confirma inconsistências, mas defende dados divulgados
Um ofício enviado pelo Inep às instituições participantes do Enamed confirmou a existência de inconsistências nos dados enviados previamente a elas, no último mês de dezembro, com os divulgados nesta semana pelo MEC.
Segundo o documento, assinado por Suzi Mesquisa, diretora substituta de Avaliação da Educação Superior, os valores previamente informados às universidades estavam incorretos — mas os resultados divulgados oficialmente pelo Inep no dia 19 seriam os corretos.
O que acontece é que o MEC alterou a metodologia utilizada no cálculo de notas. O arquivo enviado anteriormente às faculdades foi produzido com base no método de Angoff, enquanto o resultado final divulgado adotou a Teoria de Resposta ao Item (TRI).
Com a mudança, a nota de corte para definir a proficiência dos alunos subiu de 58 para 60, o que surpreendeu, durante a divulgação, reitores de instituições que estavam próximas desse limite.
Outras entidades, como a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) e o Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (SEMESP), também se manifestaram contra os resultados do Enamed 2025.
Rodrigo Capelato, diretor-executivo do Semesp, afirmou que, do ponto de vista técnico, os novos resultados parecem corretos. “No entanto, isso gera uma insegurança muito grande para as instituições”, ressaltou em vídeo publicado pela entidade.
Ele também criticou outras decisões do MEC, como a escala de proficiência adotada, que, segundo ele, precisa ser aprimorada.







