
IRÃ, 21 de janeiro de 2026 – A ditadura islâmica matou entre 16,5 mil e 18 mil manifestantes no Irã durante uma onda recente de protestos populares, segundo relatório produzido por médicos que atuam no país e divulgado pelo jornal britânico The Sunday Times, no sábado (17).
O documento aponta que a repressão ocorreu no fim de 2025, em diversas cidades iranianas, com uso de armas de uso militar, motivada pela tentativa do regime de conter manifestações iniciadas por razões econômicas.
Além disso, o relatório estima que cerca de 330 mil pessoas ficaram feridas durante a repressão promovida pela ditadura islâmica. De acordo com os dados reunidos pelos profissionais de saúde, a maioria das vítimas tinha menos de 30 anos.
O documento descreve a ação estatal como um “massacre total” e classifica o episódio como um “genocídio”, termos utilizados para caracterizar a escala da violência registrada nos hospitais.
PROTESTOS E REPRESSÃO NO PAÍS
Segundo o oftalmologista iraniano-alemão Amir Parasta, que coordenou a coleta de informações, médicos locais relataram choque diante da dimensão dos ferimentos.
Ele afirmou ter conversado com dezenas de profissionais que atuaram em zonas de conflito anteriores. Ainda assim, conforme relatado, eles descreveram a repressão atual como a mais brutal em 47 anos de ditadura islâmica no Irã.
Parasta também afirmou que agentes do regime ampliaram o uso de poder de fogo em relação a protestos anteriores. Em 2022, segundo ele, forças de segurança utilizavam balas de borracha e armas de chumbinho, sobretudo para atingir os olhos.
Desta vez, no entanto, os médicos observaram ferimentos causados por balas e estilhaços na cabeça, no pescoço e no peito das vítimas.
Além disso, os protestos tiveram início no fim de 2025, quando a população passou a ocupar as ruas contra o aumento do custo de vida. Com o avanço das manifestações, os atos passaram a incorporar reivindicações pela queda do próprio governo.
Os protestos direcionaram-se diretamente contra o regime dos aiatolás, que está no poder há quase cinco décadas.
ORIGEM DA DITADURA ISLÂMICA
A ditadura islâmica no Irã foi instaurada em 1979, após a deposição do xá Mohammad Reza Pahlavi e o fim da monarquia laica e pró-Ocidente. O poder passou então ao grupo liderado pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, que assumiu como líder supremo até sua morte, em 1989. Desde então, o cargo é ocupado pelo aiatolá Ali Khamenei.
Sob esse regime, prevalece a interpretação do clero xiita sobre os preceitos islâmicos. Homens e mulheres não possuem igualdade jurídica, homossexuais podem ser condenados à pena de morte, e cristãos e judeus não têm os mesmos direitos assegurados aos muçulmanos, conforme a legislação vigente da ditadura islâmica no Irã.







