
BRASIL, 20 de janeiro de 2026 – O emprego na indústria registrou queda pelo terceiro mês seguido em novembro de 2025, mesmo com um aumento pontual no faturamento das empresas.
Os dados dos Indicadores Industriais, divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta segunda (19), revelam que o setor eliminou 0,2% dos postos de trabalho naquele mês. Essa retração reflete os efeitos do aperto monetário e da desaceleração gradual da atividade ao longo do segundo semestre.
Conforme a entidade, a perda de ritmo no emprego industrial se intensificou a partir de setembro, acumulando um recuo de 0,6% no trimestre.
Por outro lado, o faturamento real da indústria de transformação apresentou uma alta de 1,2% em novembro na comparação com outubro. Entretanto, no acumulado do ano até novembro, o crescimento do faturamento é de apenas 0,3%.
Apesar da queda recente, o emprego industrial ainda mantém uma expansão de 1,7% no acumulado de janeiro a novembro de 2025. Segundo Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, o mercado de trabalho reagiu à melhora da atividade iniciada em 2023, mas começou a perder força com o aumento da taxa Selic.
“Somente após meses de resultados mais fracos da atividade industrial, o emprego passou a ser afetado”, explicou ele.
Outros indicadores do mercado de trabalho tiveram melhora pontual em novembro, mas seguem no negativo no ano. A massa salarial real subiu 1,5% no mês, após quatro quedas seguidas, mas acumula perda de 2,3% em 2025. Da mesma forma, o rendimento médio real teve alta de 1,6% em novembro, mas recuo de 4% no acumulado anual.
A atividade industrial mostra outros sinais de perda de fôlego. A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) recuou 0,6 ponto percentual em novembro, ficando em 77,5%. Além disso, as horas trabalhadas na produção caíram 0,7% no mês.
Para a CNI, a redução gradual do crescimento do faturamento ao longo de 2025 reforça a expectativa de perda de ritmo da indústria, especialmente na segunda metade do ano.







