
BRASÍLIA, 20 de janeiro de 2026 – O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), informou a interlocutores que não pretende deixar a relatoria do inquérito que apura fraudes no Banco Master.
A declaração foi publicada pelo jornal Folha de S. Paulo nesta segunda (19). Toffoli sustentou não haver motivos legais para impedimento ou suspeição, conforme o Código de Processo Penal. Ele também avaliou que sua saída anularia decisões já assinadas, fazendo a investigação retornar ao início.
Segundo a publicação, o ministro argumentou que situações citadas por críticos não comprometem sua imparcialidade. Toffoli se referiu a uma viagem de avião particular com um advogado ligado ao caso e à relação de seus irmãos com um fundo associado ao banco.
Ele descarta qualquer motivo de foro íntimo para se declarar suspeito perante a relatoria do inquérito.
CRÍTICAS À ATUAÇÃO
A atuação de Toffoli no caso Master recebe críticas de integrantes da Polícia Federal, do Banco Central e da Procuradoria-Geral da República.
Os pontos questionados incluem a imposição de sigilo rigoroso, a realização de uma acareação no recesso do tribunal e mudanças sobre a custódia das provas. Além disso, o episódio mais recente envolve a nomeação de quatro peritos de sua preferência para analisar o material, enquanto a PF defende a prerrogativa de escolha.
Houve ainda idas e vindas sobre a guarda das provas, que passaram pelo gabinete do ministro, pela PGR e, por fim, tiveram acesso autorizado aos peritos da PF.
Enquanto isso, o presidente do STF, Edson Fachin, enfrenta um impasse interno sobre como lidar com o desgaste sem isolar outros ministros. Fachin permanece em silêncio sobre as condutas de Toffoli e do ministro Alexandre de Moraes, este último envolvido em polêmica sobre contrato de sua mulher.
PRESSÃO INTERNA NO STF
A saída de Toffoli da relatoria do inquérito era tratada como um cenário provável dentro do STF, conforme apuração do jornal O Globo.
Dois fatores explicavam a pressão: uma sequência de decisões do ministro, algumas revistas posteriormente, e a existência de um possível conflito de interesses. Reportagens revelaram conexões entre um resort de parentes de Toffoli e fundos associados ao esquema investigado.
Nenhum outro ministro se dispôs a defender publicamente a permanência de Toffoli no caso. Diante disso, os bastidores discutiam alternativas, sendo a mais viável um pedido de afastamento por problemas de saúde. Caso a saída se concretizasse, o inquérito seria redistribuído por sorteio.
A defesa do controlador do Master, Daniel Vorcaro, trabalhava para que o processo ficasse com o ministro Nunes Marques, numa troca vista como decisiva para os rumos da relatoria do inquérito.







