
MARANHÃO, 13 de janeiro de 2026 – O Maranhão figura como o 12º estado com mais denúncias de trabalho escravo no país, segundo o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.
Os municípios de São Luís, Grajaú, Imperatriz e Mirador concentram os principais registros estaduais. No total, foram apuradas 59 denúncias e 97 violações de direitos humanos no estado em 2025, em um cenário nacional que bateu recorde.
No Brasil, as denúncias de condições análogas à escravidão chegaram a 4.515 em 2025, um aumento de 14% em relação ao ano anterior. Os relatos abrangem situações como jornadas exaustivas, trabalho por dívida, condições degradantes e restrição de liberdade.
Desde 1995, as operações de fiscalização resgataram mais de 65 mil pessoas em todo o território nacional.
Apenas em 2024, por exemplo, 2.186 trabalhadores foram libertados, especialmente nos setores da construção civil e do agronegócio. Conforme os dados, 30% dos resgates aconteceram em áreas urbanas. Dessa forma, o problema não se restringe a zonas rurais, demostrando sua complexidade.
A pesquisadora Flávia Moura, da UFMA, relata casos de violência extrema contra trabalhadores resgatados no Maranhão. As vítimas apresentam desde agressões físicas e marcas no corpo até problemas psicológicos, como síndrome do pânico. Essas sequelas, segundo ela, frequentemente afetam também os familiares dos trabalhadores.
Além disso, a história da aposentada Isabel ilustra o perfil das violações. Ela começou a trabalhar na infância, após ser trazida do interior para São Luís, onde teve direitos negados e não pôde estudar. Atualmente, ela preside o Sindicato das Trabalhadoras Domésticas do estado e atua no combate ao trabalho escravo.
As operações contam com a atuação conjunta de órgãos como o Ministério Público do Trabalho e a Polícia Federal.







