
MARANHÃO, 12 de janeiro de 2026 – A desembargadora Maria da Graça Peres Soares Amorim, da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão, decidiu manter presos o prefeito Paulo Curió, a primeira-dama, 11 vereadores e outros oito investigados no suposto esquema de corrupção em Turilândia.
A decisão contraria o parecer do Ministério Público do Estado, que havia recomendado a libertação de todos os detidos.
O parecer do MPMA, assinado pelo procurador-geral de justiça em exercício, Orfileno Bezerra Neto, defendia a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares. O Ministério Público citou dispositivos do Código de Processo Penal para justificar a mudança, apontando condições para liberdade provisória dos 21 requerentes.
Apesar da recomendação, a desembargadora afirmou que o parecer não apresentou elementos suficientes para alterar o cenário atual. Com isso, os presos seguem detidos enquanto a investigação avança para a fase de oitivas, etapa que pode resultar em processo judicial e aplicação de penas.
REAÇÃO INTERNA NO MP
No domingo (11), dez promotores que participaram diretamente da investigação como integrantes do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) pediram exoneração das funções investigativas.
O movimento ocorreu após o parecer ministerial favorável à soltura dos suspeitos, revelando uma divergência interna pouco usual no órgão.
Os promotores alegaram incompatibilidade com a orientação superior, gesto que reforçou a percepção de tensão institucional. A divergência acrescentou mais um capítulo ao caso, que já movimenta diferentes instâncias do sistema de Justiça.
OPERAÇÃO TÂNTALO II
Deflagrada em 22 de dezembro, a Operação Tântalo II cumpriu 51 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão. A desembargadora Maria da Graça Amorim autorizou todas as ordens judiciais, que são desdobramentos da primeira fase da operação, realizada em fevereiro.
O GAECO conduz um procedimento investigatório que aponta indícios de organização criminosa, fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de capitais.
Os fatos teriam ocorrido durante a gestão do prefeito Paulo Curió, com suspeita de desvio de aproximadamente R$ 56 milhões do erário municipal.







