
BRASÍLIA, 22 de setembro de 2025 – A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura desvios de recursos de aposentados e pensionistas do INSS ouvirá na segunda (22), às 16h, o depoimento de Rubens Oliveira Costa, sócio de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
Convocado como testemunha, Costa tentou alterar sua condição para investigado, o que lhe garantiria o direito de permanecer em silêncio, mas a solicitação não foi aceita.
De acordo com documentos apresentados, Rubens Costa recebeu procuração para movimentar dinheiro de um aliado próximo do senador Weverton Rocha (PDT-MA).
O parlamentar possui ligações políticas com o ex-ministro da Previdência Carlos Lupi, afastado após a primeira fase da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal. Investigações também levantam a suspeita de que Costa atuava como “homem da mala” do esquema, responsável por repasses a políticos e autoridades.
LIGAÇÕES COM EMPRESAS DO ESQUEMA
Rubens Costa foi diretor financeiro nas empresas de Antunes antes de ser substituído por Milton Salvador de Almeida, que prestou depoimento à CPMI na quinta (18). Salvador negou vínculo societário com Antunes e disse ter atuado apenas como prestador de serviços contábeis.
Segundo ele, sua função se restringia ao gerenciamento de contas a pagar e a receber, movimentando cerca de R$ 10 milhões por mês, sem conhecer os serviços prestados pelas empresas.
Onze parlamentares apresentaram requerimentos solicitando a convocação de Costa, incluindo o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar de Mendonça (União-AL). No pedido, Gaspar mencionou empresas ligadas a Antunes das quais Costa seria sócio, como a Acca Consultoria Empresarial, apontada como integrante das fraudes que afetaram benefícios do INSS.
O relator afirmou que Costa também tinha vínculos societários com pessoas acusadas de receber valores indevidos de entidades associativas envolvidas em descontos não autorizados.
DEPOIMENTO DE ANTECESSOR
Durante seu depoimento, Salvador declarou desconhecer o esquema criminoso e disse só ter percebido irregularidades após a ação da Polícia Federal.
Ele relatou que, ao tomar conhecimento da investigação, pediu a Antunes o encerramento imediato do contrato de prestação de serviços contábeis em nome da sua empresa. Também afirmou que Antunes mantinha outro contrato com a Voga, responsável por serviços de contabilidade adicionais.
Questionado sobre Rubens Costa, Salvador confirmou que ele foi seu antecessor no cargo de diretor financeiro das empresas de Antunes. Acrescentou que tiveram pouco tempo de trabalho em conjunto.







