
CAJARI, 18 de setembro de 2025 – A inadimplência no crédito rural dobrou nos últimos três anos, passando de 2% para 4%, devido à combinação de margens apertadas, custos elevados e juros altos.
A queda nos preços internacionais das commodities e o aumento no custo dos insumos agrícolas comprometeram a capacidade de pagamento dos produtores. Muitos que investiram durante o período de preços recordes entre 2020 e 2022 agora enfrentam dificuldades para honrar suas dívidas.
Dados apresentados no Fórum de Crédito e Endividamento Rural da Aprosoja-MT, na última segunda (15), revelam que a inadimplência de pessoas físicas chega a 5,9%, com 15,8% das operações renegociadas.
Instituições públicas como o Banco do Brasil registram 6,3% de atrasos e 16,4% de renegociações. Empresas do setor apresentam taxa menor, de 0,5%, com renegociações em torno de 6,5%.
Especialistas apontam que o aumento dos custos com fertilizantes e a elevação da taxa básica de juros desde 2022 pressionaram a rentabilidade das lavouras.
A relação de troca da soja, por exemplo, subiu 22% em dois anos. Além disso, eventos climáticos extremos, como enchentes no Rio Grande do Sul e secas no Centro-Oeste, agravaram a situação financeira dos produtores rurais.
Três medidas principais foram defendidas no fórum para enfrentar a crise: ampliar subsídios governamentais, melhorar a gestão financeira das propriedades e incentivar a mediação extrajudicial para renegociação de dívidas.
O economista Fábio Silveira, da MacroSector Consultores, afirmou que não se deve ter vergonha de buscar financiamento público para um setor estratégico da economia.







