
MARANHÃO, 17 de setembro de 2025 – A deputada estadual Claudia Coutinho afirmou nesta terça (17), na tribuna da Assembleia Legislativa do Maranhão, que o ex-prefeito de Caxias, Fábio Gentil, deveria deixar o cargo que ocupa no governo estadual.
A parlamentar classificou o gestor como “poderoso chefão da máfia do colarinho branco”, relacionando-o às investigações da Polícia Federal sobre fraudes em contratos públicos na cidade.
“O Deputado aqui presente na sessão anterior da semana passada, chamou de facção criminosa, pois V. Exa. foi muito bonzinho, porque para mim é facção dos criminosos do colarinho branco, porque é o pior crime que se pode cometer, porque são lobos vestidos de cordeiro. Pessoas que tiram da boca das crianças para manter luxo, carros luxuosos e relógios que valem milhões de reais.”
No discurso, a deputada Claudia Coutinho destacou avanços em programas de saúde, educação e assistência social realizados pelo governo Carlos Brandão, mas disse sentir indignação diante das denúncias contra gestores ligados ao município de Caxias. Ela pediu desculpas à população local e afirmou acreditar na apuração dos fatos pelas instituições.
“Governador, está na hora, está na hora, está na hora de V. Exa. tirar essa vergonha do seu Governo. Está na hora de pedir a esse senhor, ex-prefeito de Caxias, Fábio Gentil, o poderoso chefão da máfia do colarinho branco, que desocupe o cargo, porque quem se mistura aos porcos, farelo come. E aqui eu vou terminar minhas palavras, porque da laranja eu quero a laranjada, do limão a limonada, e dos mafiosos, bandidos do dinheiro público eu quero a cadeia.”
RELATÓRIO DA POLÍCIA FEDERAL
Segundo relatório da Polícia Federal, um áudio analisado nas investigações sobre a empresa Pilares do Saber evidencia a atuação direta do então prefeito Fábio Gentil nas negociações. Em uma das gravações, um interlocutor afirma que o gestor exigia a entrega imediata de materiais, reforçando sua participação ativa no processo.
Os investigadores apontam que a pressão de Gentil para cumprimento de prazos se somava a contratos milionários firmados pela prefeitura com a empresa, que somavam mais de R$ 2 milhões em projetos pedagógicos. A apuração indica que o ex-prefeito usava sua autoridade para acelerar entregas relacionadas ao esquema.
De acordo com a Polícia Federal, o esquema envolvia também a deputada federal Daniella, que, segundo mensagens obtidas, indicava cidades, articulava prefeitos e definia a divisão dos percentuais dos contratos.
Os áudios mostram referências a valores como “30 de Caxias” e “25 de Santa Inês”, indicando cobranças sobre os percentuais a serem ajustados.
O relatório descreve que Daniella teria a função de abrir portas políticas, Hugo Fabiano Menezes atuava como intermediário, Almir seria o fornecedor e Gentil pressionava pela execução dos contratos dentro da prefeitura. Para a PF, esse arranjo sustentava um esquema de desvio de recursos destinados à educação.
OPERAÇÃO LEI DO RETORNO
No dia 19 de agosto, a Polícia Federal deflagrou a Operação Lei do Retorno, cumprindo 45 mandados de busca e apreensão em Caxias, São Luís, São José do Ribamar, Buriti Bravo, Presidente Dutra e Joselândia, no Maranhão, além de Teresina, no Piauí.
A ação investiga o desvio de mais de R$ 50 milhões do Fundeb entre 2021 e 2025 por meio de fraudes em licitações e contratos municipais.







