
BRASÍLIA, 15 de setembro de 2025 – O Supremo Tribunal Federal (STF) repassou R$ 4,4 milhões à agência Orleans Viagens e Turismo entre setembro de 2022 e setembro de 2023. O contrato, para serviços de emissão de passagens e montagem de roteiros, foi firmado em setembro de 2022.
A empresa, no entanto, é citada pela Polícia Federal em relatório sobre desvios bilionários no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Conforme a investigação, a Orleans recebeu cerca de R$ 5,2 milhões da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais (Contag), entidade também investigada no mesmo escândalo.
A Polícia Federal apontou que a Orleans Viagens acumulou bens considerados incompatíveis com seu faturamento declarado. A agência é proprietária de doze veículos de alto padrão, incluindo modelos como Porsche 911 e Dodge Ram Rampage.
Além disso, uma instituição financeira emitiu alerta ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre movimentações expressivas de valores da Contag pela Orleans, sem um vínculo comercial aparente que justificasse as transações.
O caso gerou reação no Congresso Nacional, onde a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS voltou suas atenções para a agência. O senador Izalci Lucas (PL-DF) apresentou um requerimento pedindo a quebra do sigilo bancário da Orleans Viagens.
O período solicitado para a análise abrange desde janeiro de 2019 até julho de 2025. Os investigadores suspeitam de crimes como desvio de recursos públicos e sonegação fiscal.
A Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais (Contag), que repassou os valores, teve seus convênios com o INSS suspensos após o início das investigações. Relatórios indicam que a confederação transferiu mais de R$ 26 milhões para quinze destinatários diferentes, sendo a Orleans Viagens um deles.
O STF, por sua vez, já se defendeu de associações que ligavam a agência ao pagamento de viagens de ministros para eventos internacionais.







