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Quem da direita pode ser aceito pelo STF nas eleições?

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A direita brasileira pode ser preterida pela centro-direita nas eleições gerais de 2026 devido a embates na Justiça, em especial com o STF.

BRASÍLIA, 16 de junho de 2025 –  A direita brasileira pode ser preterida pela centro-direita nas eleições gerais de 2026 devido a embates na Justiça, em especial com o Supremo Tribunal Federal (STF). Com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) arrolados em causas judiciais, outros nomes também podem encontrar dificuldades no próximo pleito e deixar candidatos mais afeitos ao STF ganharem protagonismo. 

O exemplo mais evidente é a inelegibilidade de Bolsonaro e a articulação do centrão para apresentar um nome mais de centro para disputar contra o presidente Lula (PT). O ex-presidente atualmente está sendo julgado pela Corte por suposta tentativa de golpe de Estado. Ele também se encontra inelegível desde 2023.

Nesse cenário, surge a pergunta: quem o STF, bem como o Tribunal Superior Eleitoral, poderá aceitar como candidato palatável da direita em 2026? 

Analistas ouvidos pela Gazeta do Povo apontam que a aceitação da Corte será um fator importante para que o establishment político decida por um nome, com ou sem o apoio do ex-presidente. Estando fortalecido nas pesquisas eleitorais, o governador Tarcísio Gomes de Freitas, de São Paulo, é visto como o candidato “permitido” dentro do espectro mais próximo da direita. 

Isso ocorre porque o chefe do Executivo paulista passou os últimos anos desenvolvendo um bom relacionamento com os ministros do STF, em especial o ministro Alexandre de Moraes. Outros nomes sem atritos com o Supremo são os dos governadores do Paraná, Ratinho Júnior (PSD) e de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).

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Ratinho ainda possui um bom trâmite com magistrados, mesmo sendo apoiador de Bolsonaro. Zema tem se tornado mais vocal contra o STF. Ele criticou pela primeira vez em março as ações do Supremo contra os manifestantes de 8 de janeiro. Zema desaprovou a prisão da cabelireira Débora Rodrigues, que pichou com batom uma estátua do STF.

O cientista político Elton Gomes, professor da Universidade Federal do Piauí (UFPI), avalia que o Supremo Tribunal Federal (STF) “converteu-se em uma variável interveniente e, por vezes, em uma variável principal, de primeira grandeza”, dado que boa parte das decisões políticas do país acaba judicializada.

Gomes também chama atenção para o fato de que o Tribunal Superior Eleitoral, que tem poder para rejeitar candidaturas, não é independente do STF. “Parte da Corte Eleitoral é composta por ministros da Suprema Corte no exercício de suas funções”, lembra. Para ele, isso faz com que “o processo de arbitragem eleitoral brasileira seja influenciado, contaminado de alguma maneira e movido também por esse alinhamento de forças entre a Suprema Corte e o partido do governo”.

Expoentes e parlamentares da direita estão na mira da Justiça 

Nos últimos meses, diversos expoentes da direita brasileira passaram a enfrentar investigações, ações judiciais e condenações que colocam em xeque suas trajetórias políticas. O caso mais recente envolve o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que se tornou alvo de um inquérito autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). 

A investigação, solicitada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), apura se o parlamentar articulou com autoridades internacionais, como congressistas dos Estados Unidos e membros da OEA, para pressionar o Judiciário brasileiro e aplicar sanções contra o próprio Moraes.

O influenciador digital e empresário Pablo Marçal (PRTB), que disputou a prefeitura de São Paulo em 2024, também foi condenado à inelegibilidade por oito anos. A decisão, proferida pela Justiça Eleitoral paulista, aponta abuso de poder político e econômico, uso indevido dos meios de comunicação e captação ilícita de recursos. 

Além disso, Marçal responde criminalmente por colocar em risco a vida de 32 pessoas durante uma expedição ao Pico dos Marins, em 2022, quando liderou um grupo sem preparo técnico adequado, resultando em uma operação de resgate de grande porte.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), por sua vez, foi condenado ao pagamento de R$ 200 mil por dano moral coletivo. A sentença decorre de um episódio ocorrido no plenário da Câmara dos Deputados, em 2023, quando o parlamentar usou uma peruca e fez declarações consideradas transfóbicas, gerando forte reação de movimentos sociais e entidades de direitos humanos.

Outro nome de destaque que enfrenta complicações judiciais é o do deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ). O Ministério Público Eleitoral pediu sua inelegibilidade por oito anos, acusando-o de abuso dos meios de comunicação durante a campanha pela prefeitura de Niterói (RJ) em 2024. Segundo a Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, Jordy teria utilizado o jornal O Fluminense para atacar seu adversário político, Rodrigo Neves, em benefício próprio. O caso está no Tribunal Regional Eleitoral do Rio.

Já o ex-diretor da Abin e deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) tornou-se réu no STF por sua suposta participação em uma organização criminosa que teria atuado para tentar reverter o resultado das eleições de 2022. Ele é acusado de integrar o núcleo que teria planejado um suposto golpe de estado. 

Por fim, o deputado Gustavo Gayer (PL-GO) enfrenta uma queixa-crime no STF por injúria e difamação contra Gleisi Hoffmann, ministra das Relações Institucionais. Depois da nomeação de Gleisi como ministra responsável pela articulação do governo Lula com o Congresso Nacional, Gayer publicou em seu perfil no X que Lula ofereceu a ministra aos presidentes da Câmara e do Senado “como um cafetão oferece sua funcionária em uma negociação entre gangues”.

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