
SÃO LUÍS, 05 de dezembro de 2023 – O endividamento das famílias brasileiras continua em destaque, mesmo com uma leve queda pelo quinto mês consecutivo.
Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela CNC nesta segunda (4), cerca de 76,6% das famílias ainda possuem dívidas em cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e prestações de carro e da casa.
Embora haja uma redução de 0,5% em comparação ao mês anterior, o percentual aponta um cenário persistente de endividamento.
José Roberto Tadros, presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, sugere que a sensação de melhora nas condições econômicas pode estar contribuindo para a queda.
Ele destaca o progresso no mercado de trabalho, com maior contratação esperada no período de fim de ano, favorecendo os orçamentos domésticos e, consequentemente, resultando em menos pessoas recorrendo ao crédito para arcar com dívidas correntes.
Quanto à inadimplência, o índice de famílias inadimplentes apresentou queda, atingindo 29% em novembro. Esse é o menor patamar desde junho de 2022, segundo Felipe Tavares, economista-chefe da CNC.
O programa Desenrola, que visa auxiliar na renegociação de dívidas, é apontado como um possível fator contribuinte para essa redução.
A faixa de renda média, entre cinco e dez salários mínimos, contrariou a tendência geral, registrando um aumento no volume de pessoas endividadas. No entanto, 35% desse grupo se considera “pouco endividado”.
Por outro lado, consumidores de baixa renda, com até três salários mínimos, apresentam o maior percentual de dívidas em atraso (36,6%), evidenciando uma situação mais delicada.
O cartão de crédito permanece como a modalidade mais utilizada pelos endividados, atingindo 87,7% do total de devedores, um aumento significativo em comparação ao mesmo período do ano anterior.
A pesquisa também revela que, embora a proporção de consumidores endividados tenha diminuído nos últimos 12 meses, as mulheres apresentaram uma redução mais expressiva em relação aos homens.
O total de mulheres endividadas manteve a tendência de queda em comparação a outubro, enquanto o endividamento entre os homens teve um pequeno aumento.







