Mateus perde R$ 2,5 bi em valor de mercado após erro contábil

BRASIL, 24 de novembro de 2025 – O Grupo Mateus revisou registros de estoques e custos após identificar erros contábeis que afetaram demonstrações financeiras anteriores, conforme divulgado no balanço do terceiro trimestre. A companhia comunicou que o ajuste reduziu o valor consolidado dos estoques e influenciou a percepção do mercado, o que resultou em queda superior a 16% nas ações e perda aproximada de R$ 2,5 bilhões em valor de mercado. A empresa informou que recalculou o saldo dos estoques, que passou de R$ 6,047 bilhões para R$ 4,939 bilhões em dezembro de 2024. Essa correção reduziu o valor em R$ 1,107 bilhão e exigiu a reapresentação dos demonstrativos de 2023 e 2024 para garantir consistência nos dados. Além disso, a controladora ajustou o valor dos investimentos em R$ 694,7 milhões para refletir os novos cálculos. O Grupo Mateus relatou que os ajustes não afetaram o caixa nem os contratos de dívida, pois o impacto ocorreu apenas na contabilidade. No entanto, consultorias já haviam apontado dificuldades no monitoramento de estoques antes mesmo do IPO, quando recomendaram a adoção de um sistema específico para acompanhar a evolução histórica desses dados. Nos formulários de referência de 2020 e 2021, esse ponto apareceu como alerta central aos investidores. Depois, a questão deixou de ser mencionada e retornou agora, após a divulgação dos novos números. Dessa forma, o episódio reacendeu o debate sobre controles internos da varejista. Apesar disso, a empresa esclareceu a necessidade de reavaliar procedimentos envolvendo impostos de entrada, como PIS e ICMS. Essa revisão surgiu porque esses tributos influenciam diretamente o cálculo do custo das mercadorias e podem alterar a composição final do estoque quando registrados de forma inadequada.
Moraes admite erro e manda soltar preso do 8 de janeiro

BRASÍLIA, 15 de outubro de 2025 – O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), mandou soltar na terça (14) Divanio Natal Gonçalves, réu pelos atos de 8 de janeiro de 2023, após a PGR (Procuradoria-Geral da República) e a defesa do réu apontarem um erro judicial que levou à detenção do homem. Na decisão, o magistrado determina o restabelecimento de medidas cautelares anteriormente impostas. Divanio, que foi denunciado pela prática de associação criminosa e incitação ao crime, estava preso desde 2 de abril deste ano, depois de Moraes — relator da ação penal no Supremo — decretar sua prisão preventiva em setembro de 2024 por descumprimento de cautelares. O pedido de prisão se baseou na informação de que o réu não havia comparecido ao Juízo de Execução Penal de Uberlândia (MG) para tomar ciência das condições de sua liberdade provisória, que incluíam o uso de tornozeleira eletrônica. Na semana passada, cinco meses após a prisão, Divanio entrou com pedido de revogação da decisão. O réu alegou que vinha cumprindo as cautelares em um juízo diferente daquele para o qual a carta de ordem havia sido enviada. Segundo ele, a tornozeleira estava sendo utilizada no momento da prisão e permaneceu em sua perna por cerca de uma semana após a detenção. A PGR confirmou a alegação com base em uma certidão da Vara de Violência Doméstica contra a Mulher e de Precatórios Criminais da Comarca de Uberlândia. O documento registrou que a carta expedida pelo STF foi distribuída para a Vara de Precatórios e que o réu chegou a comparecer duas vezes para justificar o descumprimento das cautelares. A certidão também atesta o cancelamento de seu passaporte.
PMs são condenados a 14 anos por morte de jovem no Maranhão

BALSAS, 15 de agosto de 2025 – Dois PMs foram condenados a 14 anos de prisão em regime fechado pelo assassinato de Karina Brito Ferreira e pela tentativa de homicídio de sua irmã, Kamila Brito. O Tribunal do Júri de Balsas, no Maranhão, decidiu pela condenação de Bruno Rafael Moraes e Raifran de Sousa Almeida na madrugada desta sexta (15). O crime ocorreu em dezembro de 2016, quando as irmãs foram confundidas com assaltantes durante uma operação policial. Os policiais, que integravam o Comando de Operações de Sobrevivência em Área Rural (COSAR), participavam de uma ação para capturar suspeitos de um assalto a banco. No entanto, perseguiram o carro de Karina e Kamila por mais de dois quilômetros, efetuando 17 disparos.
Processos por erro médico crescem 158% em 4 anos no Brasil

BRASIL, 13 de março de 2025 – O Brasil registrou um aumento de 158% no número de processos judiciais relacionados a erros médicos de 2020 a 2024. Dados do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) mostram que, de 2023 a 2024, o crescimento foi ainda mais acentuado, com alta de 506%. No último ano, foram registradas 74.358 novas ações, contra 12.268 no ano anterior. Esses processos envolvem questões como danos morais e materiais, termos usados pelo sistema judiciário para classificar problemas na prestação de serviços de saúde. O país também acumula 139.079 processos do tipo pendentes de julgamento até 2024, um aumento de 80,5% em relação aos 77.052 casos pendentes em 2020, conforme os dados do Painel de Estatísticas do CNJ. ENTENDA O TERMO Em 2023, o CNJ modificou a TPU (Tabela Processual Unificada), que organiza os temas em tramitação no Judiciário. A partir dessa alteração, os casos enquadrados antes como “erro médico” foram reclassificados como “danos materiais e/ou morais decorrentes da prestação de serviços de saúde”, seja no setor público ou no privado. “Essa alteração está em conformidade com o que é estabelecido pela Constituição Federal, em seus artigos 5º (incisos V e X), 37, § 6º, e também pelo Código Civil, que abrange os artigos 927, 944 a 954, além do artigo 5º, X da CF, e dos artigos 186, 927, 944 e 953, parágrafo único”, afirmou o CNJ em nota enviada ao Poder360. A alteração foi solicitada pelo CBC (Colégio Brasileiro de Cirurgiões), com o apoio do CFM (Conselho Federal de Medicina). As entidades afirmaram que a versão anterior da tabela classificava certos temas como “erro médico”, o que, segundo elas, transmitia uma conotação negativa à classe médica.