Justiça Federal determina soltura de dono do Banco Master

SÃO PAULO, 28 de novembro de 2025 – A Justiça Federal determinou, na noite de 28 de novembro, a soltura de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, após onze dias de prisão em São Paulo. A decisão da desembargadora Solange Salgado, do TRF-1, ocorreu durante a Operação Compliance Zero, que investiga emissão de títulos falsos e crimes financeiros. O executivo deixou o sistema prisional com obrigação de usar tornozeleira e entregar o passaporte, além de evitar contato com outros investigados. Além disso, a magistrada estendeu a decisão a quatro executivos do Banco Master, que também estavam presos desde a deflagração da operação. Entre eles estão Alberto Felix de Oliveira Neto, Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, Augusto Ferreira Lima e Luiz Antônio Bull. A desembargadora afirmou que medidas cautelares robustas são suficientes para garantir a ordem econômica e evitar riscos de fuga. SOLTURA APÓS NEGATIVAS ANTERIORES A libertação de Vorcaro ocorreu após recusas anteriores da mesma magistrada, que havia apontado risco concreto para manter a prisão. No dia 24, o empresário havia sido transferido da sede da Polícia Federal em São Paulo para o Centro de Detenção Provisória 2, em Guarulhos. Os advogados afirmaram que a mudança oferecia risco à integridade física do banqueiro. A prisão ocorreu no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando Vorcaro tentava embarcar para os Emirados Árabes Unidos. Ele declarou que viajaria para tratar da possível venda do Banco Master ao Grupo Fictor. A viagem, segundo a defesa, estava relacionada a negociações comerciais para a instituição financeira.
Saída de milionários do Brasil cresce 50 por cento em um ano

BRASIL, 25 de agosto de 2025 – O Brasil está se tornando menos interessante para famílias de alta renda. Estudo da Henley & Partners, uma consultoria que ajuda milionários a se realocar em outros países, estima que 1,2 mil pessoas com patrimônio pessoal acima de US$ 1 milhão planejam deixar o país neste ano. O número é 50% superior ao registrado em 2024. Uma outra estimativa, do Instituto Millenium, indica que quase um quinto dos milionários deixaram o país nos últimos dez anos. Segundo o estudo da Henley & Partners, entre os países desenvolvidos, o Brasil é o sexto que mais deve perder milionários, atrás de Reino Unido (16,5 mil), China (7,8 mil), Índia (3,5 mil), Coreia do Sul (2,4 mil) e Rússia (1,5 mil). Caso de fato se mudem no Brasil, os milionários levarão cerca de US$ 8,4 bilhões — ou R$ 46 bilhões, considerando o dólar a R$ 5,48 (cotação do dia 21 de agosto). Mas o impacto econômico não é o único. Leonardo Chagas, especialista em investimentos e gestão de patrimônio e que contribuiu com o Instituto Millenium, afirma que a perda vai além do dinheiro, já que o país perde cérebros. “Vão embora empresários, executivos e investidores com experiência para criar negócios e inovar. Essa ‘fuga de cérebros’ enfraquece o ecossistema de startups e a capacidade do país de competir globalmente”, afirma. Além disso, na visão do especialista, a saída da elite envia uma mensagem péssima para o investidor estrangeiro. A lógica é simples: se os próprios brasileiros estão desistindo do país, por que alguém de fora deveria investir aqui? Dessa forma, a fuga de milionários aumenta a percepção de risco e afasta o capital externo do país. Chagas ainda comenta que a mentalidade de quem fica também é afetada. “Reforce-se uma cultura de aversão ao risco e de curto prazo. Ao investir no Brasil, a prioridade passa a ser proteger o patrimônio e enviar dinheiro para fora. O engajamento com os problemas do país diminui, inclusive as doações para projetos sociais, que já são baixos”, diz. Dentre as razões para sair do Brasil, a falta de segurança é uma das principais. Chagas afirma que a violência generalizada força essas famílias a viverem com medo, mesmo investindo em carros blindados e condomínios fechados. “A preocupação com a segurança dos filhos costuma ser o gatilho final para a mudança”, afirma. Outros fatores também graves, além da violência. Segundo a Henley & Partners, que também lista a segurança em primeiro lugar, preocupações financeiras, impostos, contribuições, oportunidades de trabalho e de educação para os filhos e padrão de vida influenciam nesta decisão.
TST gastará R$ 1,5 mi em sala VIP exclusiva para ministros

BRASÍLIA, 08 de agosto de 2025 – O Tribunal Superior do Trabalho (TST) vai investir cerca de R$ 1,5 milhão para construir e manter, por dois anos, uma sala VIP exclusiva para seus 27 ministros no Aeroporto Internacional de Brasília. O espaço, com 44 metros quadrados, terá piso de granito, paredes de gesso, copa e banheiros privativos. O contrato inclui acompanhamento pessoal por funcionários do aeroporto e carro privativo para transporte até a aeronave. Segundo o TST, em nota enviada à Folha de S. Paulo, a medida visa garantir segurança e evitar a “aproximação de pessoas inconvenientes” durante embarques e desembarques. “A forma como eram realizados os embarques e desembarques propiciava a aproximação de indivíduos mal-intencionados ou inconvenientes, o que aumentava significativamente os riscos evitáveis para essas autoridades”, afirmou o tribunal em nota. O aluguel do espaço custará R$ 30 mil mensais, acrescidos de R$ 2.639,70 referentes ao rateio das despesas do aeroporto. A obra, orçada em R$ 85 mil, deve ser concluída até meados de agosto. Segundo o jornal, o contrato foi firmado sem licitação com a mesma empresa responsável pelas três salas VIP privadas do aeroporto. De acordo com o TST, a dispensa está prevista em lei e foram consultadas três empresas. O acordo é válido até abril de 2027, podendo ser renovado. Os valores não incluem mobiliário, alimentação e funcionários, que serão reaproveitados de contratos já existentes.
Salários de elite do funcionalismo custam R$ 20 bi em 6 anos

BRASIL, 18 de novembro de 2024 – Entre 2018 e 2024, o pagamento de auxílios e benefícios que ultrapassam o teto remuneratório do funcionalismo público, fixado atualmente em R$ 44 mil, gerou um impacto mínimo de R$ 20 bilhões nos cofres públicos. Essa informação faz parte de um estudo elaborado pela República.org e divulgado no Anuário de Gestão de Pessoas no Serviço Público. Os dados analisados têm como base o painel Dados JusBR da Transparência Brasil. O levantamento incluiu, portanto, os ganhos de servidores ativos, inativos e pensionistas. Entre os beneficiados, destacam-se juízes, desembargadores e procuradores, categorias que figuram no grupo de carreiras com remuneração acima do teto constitucional, formando assim uma elite do funcionalismo. O estudo apontou um aumento no porcentual de servidores do Judiciário e do Ministério Público que receberam, ao menos, um mês de supersalário por ano. Em 2018, esse índice era de 83%. Em 2024, chegou a 92%. Esses ganhos são impulsionados principalmente por verbas indenizatórias, os chamados penduricalhos. Esses benefícios são reconhecidos por lei ou atos normativos e não são considerados remuneração, o que os exclui do teto constitucional. O estudo revelou, ainda, que 62% do montante acima do teto tem origem em rubricas indenizatórias. Um exemplo é a licença-compensatória, gratificação por acúmulo de função. Entre janeiro e julho de 2024, os gastos com essa rubrica saltaram de R$ 100 milhões para R$ 300 milhões, um aumento de 400%. Embora o projeto de lei dos supersalários, em tramitação no Senado, busque regulamentar essas verbas, os pesquisadores da República.org avaliaram que ele ainda permite que benefícios indenizatórios continuem impactando o teto remuneratório.